
A Justiça decretou a falência do Hotel Manta, tradicional empreendimento de Pelotas. A decisão foi publicada na quarta-feira (13) pelo Juizado Regional Empresarial da Comarca de Pelotas. A empresa havia ingressado com pedido de recuperação judicial em 2025.
Segundo a decisão, a falência foi motivada por dois fatores principais: a rejeição do plano de recuperação judicial pelos credores, em assembleia realizada no dia 28 de abril, e o entendimento de que o Grupo Manta não demonstrou capacidade de superar a crise econômico-financeira.
Com a decretação da falência, a Justiça determinou a lacração imediata dos estabelecimentos do grupo, além da avaliação de todos os bens da empresa. A decisão também prevê o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros. A administração judicial terá prazo de 60 dias para apresentar um plano de venda dos bens arrecadados.
Paralisação antecipou crise
O fechamento ocorre semanas após uma paralisação realizada por funcionários, em 28 de abril, para denunciar irregularidades trabalhistas e cobrar esclarecimentos sobre o futuro da empresa.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Pelotas (SintraturhPel), havia relatos de atrasos recorrentes no pagamento de salários, ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), dificuldades no pagamento de férias e falta de transparência sobre a situação financeira do hotel.
— Tem trabalhadores com 20 anos de casa, 15 anos, e até um mensageiro com 36 anos sem o fundo de garantia depositado. Isso é inadmissível — afirmou, à época, a presidente do sindicato, Simone Moraes.
A mobilização ocorreu em meio à insegurança provocada por etapas judiciais anteriores e pela possibilidade de venda do empreendimento.
— O pior para o trabalhador é viver sem saber o que vai acontecer amanhã. Se o hotel vai fechar, se vai ser vendido e se eles vão receber seus direitos — disse Simone durante o ato.
Após a paralisação, segundo o sindicato, houve sinalização de abertura de diálogo por parte da direção do hotel para apresentar a situação financeira da empresa.
Impacto nos trabalhadores
O encerramento das atividades atinge cerca de 40 funcionários, que devem perder o emprego a partir desta sexta-feira (15). A previsão é de que os portões do hotel sejam lacrados às 9h.
Segundo Simone, o clima entre os trabalhadores é de forte abalo emocional diante do fechamento definitivo.
— Eles vão continuar a noite aqui. As crises de ansiedade e pânico são muito grandes. Eles caminham pelo hotel e não conseguem sair, porque sabem que, no momento em que saírem amanhã, vai ter um lacre gigante aqui de “fim do Hotel Manta” — afirma.
Até a última atualização desta reportagem, o hotel ainda mantinha alguns hóspedes no local.
GZH buscou contato com a gerencia e direção do hotel, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.


