
O início dos dias frios alterou a rotina das docerias de Pelotas, no Sul do Estado. Impulsionado pelas baixas temperaturas, o consumo dos doces tradicionais em Pelotas registrou alta de até 50%, segundo dados da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas. Para dar conta da demanda, estabelecimentos locais chegam a duplicar o volume de produção nesta época do ano.
O fenômeno que movimenta a economia do município tem justificativas que vão além do hábito cultural. A nutricionista Taila Xavier explica que a maior inclinação ao açúcar durante o inverno responde a mecanismos fisiológicos e comportamentais do organismo.
De acordo com ela, o desejo intensificado por alimentos calóricos nos meses de inverno ocorre por três motivos principais.
- Sistema de recompensa: dias frios e com menor luminosidade natural tendem a reduzir a sensação de bem-estar. O açúcar ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando neurotransmissores como serotonina e dopamina, que geram conforto imediato.
- Depressão sazonal: a menor exposição ao sol afeta o humor e o ritmo biológico, o que pode desencadear episódios de depressão sazonal. A condição eleva a busca automática por carboidratos.
- Gasto energético: sob temperaturas baixas, o corpo gasta mais energia para manter a temperatura corporal equilibrada, sinalizando a necessidade de alimentos com maior densidade calórica.
— A vontade de comer doce no inverno não está ligada apenas ao emocional, mas também a respostas naturais do organismo — afirma Taila.
Reforço na cozinha
Na prática, o comportamento do consumidor transforma o ritmo de trabalho na Capital Nacional do Doce. Proprietária de uma doceria na cidade, Luciana Silveira confirma que o movimento exige uma readequação rápida das equipes.
— Nesta época do ano, aumenta muito o desejo pelo doce. Precisamos ampliar o nosso quadro de funcionários e praticamente dobramos a quantidade da produção — relata a empresária.
Entre a variedade de tortas, bombons de morango e o tradicional quindim, o destaque de vendas no inverno permanece com os clássicos. Segundo Luciana, o bem-casado lidera a preferência do público quando associado ao café passado, seguido por combinações de fatias de torta com chás ou chocolate quente.
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