
A retomada do Polo Naval de Rio Grande começa a dar os primeiros sinais com a abertura de vagas no Estaleiro Rio Grande, reacendendo a expectativa de trabalhadores que aguardam há anos pela recuperação do setor.
O início do processamento do aço para a construção de navios da classe Handy, divulgado na quinta-feira (9) pela Ecovix, é visto como um avanço, ainda que inicial diante do potencial da indústria naval no sul do Estado. O investimento é estimado em US$ 278 milhões, o equivalente a mais de R$ 1,5 bilhão.
— A gente sabe que isso ainda é muito pouco, mas já é um início. Quando começa a contratar, para nós do sindicato, é uma grande alegria. E para os trabalhadores também. Cem vagas são cem famílias impactadas — afirma Benito Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande.
A previsão inicial era de que as contratações começassem no segundo semestre do ano passado, mas o cronograma sofreu atrasos. Neste primeiro momento, cerca de 100 vagas devem ser abertas. Atualmente, aproximadamente 400 pessoas trabalham no estaleiro. No auge do polo, entre 2011 e 2014, mais de 20 mil empregos foram gerados.
— Isso ajuda no mercado, no comércio, mas a gente ainda aguarda o recomeço com mais trabalho, mais vagas — completa o dirigente sindical.
Além das contratações, o sindicato acompanha a expectativa de abertura de cursos de qualificação profissional, considerados fundamentais para preparar a mão de obra local para as próximas etapas da construção naval.
Demanda deve crescer gradualmente, diz empresa
Do lado da empresa, a Ecovix afirma que a retomada ocorre de forma gradual, acompanhando o avanço das obras e a chegada de insumos. Segundo o diretor operacional Ricardo Ávila, a ampliação do quadro de funcionários deve ocorrer conforme o ritmo da produção.
— Gradualmente, com a chegada de novos insumos e o avanço das etapas, teremos demanda para outros postos de trabalho. O volume de trabalho vai crescer na mesma medida da chegada dos equipamentos, gerando empregos que impactam toda a Zona Sul — explica.
Os contratos em andamento incluem a construção de quatro navios da classe Handy Max e outros cinco gaseiros, com potencial de gerar milhares de empregos ao longo dos próximos anos. Além disso, a empresa lidera o processo licitatório internacional da Transpetro para a construção de quatro navios de médio porte da classe MR1.
Com capacidade de cerca de 40 mil toneladas de porte bruto, as embarcações serão destinadas ao transporte de petróleo e derivados ao longo da costa brasileira.
Ao comentar a competitividade do estaleiro, Ávila destaca a estrutura disponível.
— Somos um estaleiro de quarta geração, contando com equipamentos modernos e alta tecnologia para a construção de embarcações e a realização de outros projetos navais. Temos o maior dique seco da América Latina, profissionais altamente capacitados e expertise que nos colocam em posição de destaque no mercado — aponta.
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