
O setor de revenda de combustíveis no Rio Grande do Sul busca alternativas para enfrentar um cenário de instabilidade global e elevação de custos operacionais.
Em agenda em Pelotas, no sul do Estado, o presidente do Sulpetro, Fabricio Severo Braz, destacou que o principal desafio imediato é o reflexo do conflito no Oriente Médio. Segundo ele, a guerra intensificou a oscilação de preços e gerou episódios de restrição de produtos.
— A gente aproveitou esse momento para explicar que o combustível não é só a revenda. Existe a refinaria, a distribuidora e os importadores. O revendedor recebe o preço diferenciado e precisa repassar analisando o centro de custo de cada unidade — explica o dirigente.
Custos regionais e logística
Para as regiões de Pelotas e Bagé, o transporte surge como um complicador adicional. A distância dos centros de distribuição eleva o frete, onerando o empresário local. Em Bagé, cidade conhecida pelos preços historicamente mais elevados que a média estadual, Braz aponta a logística como fator determinante.
— O interior do Estado enfrenta muito a questão do transporte, o que acaba elevando o custo na hora de o revendedor definir sua margem — afirma.
Além da carga tributária, uma preocupação emergente no setor é o debate sobre a mudança na jornada de trabalho (escala 6x1). Por operarem em regime contínuo, os postos temem que a alteração traga necessidade de reorganização de quadros e elevação de custos com pessoal.
— Como somos um setor que não para, isso nos traz uma grande preocupação quanto à reorganização das equipes e ao elevado custo que pode gerar para o revendedor — afirma.
Como estratégia de sobrevivência, muitos postos em Pelotas e no restante do Estado têm migrado para um modelo de "polo de serviços". A inclusão de farmácias, lavanderias e conveniências com foco gastronômico busca garantir a rentabilidade que o combustível, isoladamente, muitas vezes não entrega.
O Sulpetro — sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado — promove o evento "Junto com o Revendedor" nas regiões Sul e Campanha. Ontem (28) o evento ocorreu em Pelotas e, nesta quarta-feira (29), acontece em Bagé.
Este é o primeiro ciclo de encontros regionais de 2026 sob a nova gestão da Sulpetro. O objetivo é aproximar a entidade dos empresários, associados ou não, para discutir os gargalos que impactam diretamente o preço na bomba e a viabilidade dos negócios.
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