
O Balneário Cassino, no sul do Estado, tem registrado um aumento expressivo no número de moradores desde a pandemia de Covid-19, em 2020. Atualmente, a região conta com 55 mil moradores fixos, um crescimento de 25 mil moradores nos últimos seis anos.
Somente nos últimos cinco anos, cerca de 4,7 mil novos imóveis foram cadastrados no sistema da prefeitura. O total de unidades passou de 23,9 mil, em 2020, para 28,6 mil em 2025.
O movimento populacional está aquecendo o setor imobiliário, atraindo novos investimentos e consolidando o bairro como um polo residencial e turístico.
De acordo com dados da Rotta Imobiliária, nos últimos anos, o preço pelo metro quadrado na região central, próximo ao comércio do Balneário, variou entre R$ 4,7 mil e R$ 6,4 mil.
Além disso, áreas como o Loteamento Leivas Otero e o Parque do Bolaxa registraram valorização média de 20% ao ano. Os dados são oriundos de uma pesquisa interna da empresa.
— Essas áreas concentram os maiores investimentos e registram crescente demanda, tanto de famílias quanto de investidores — informa a imobiliária.
"É um mercado pouco explorado"

Ao longo da temporada de verão, o balneário chega a receber 200 mil pessoas. Esse crescimento, relacionado aos potenciais turísticos, está chamando a atenção das construtoras a investirem na localidade.
Segundo Rafael Nascimento, fundador da construtora Porto5, o setor de construção civil do Cassino ainda é um mercado pouco explorado e, por isso, apresenta preços de entrada mais acessíveis do que as praias do Litoral Norte gaúcho.
— Decidimos construir no Balneário Cassino baseados em três pilares: demanda consistente, vocação turística consolidada e potencial de valorização ainda não totalmente capturado. Além disso, o mercado ainda apresenta preço de entrada mais acessível do que praias do Litoral Norte e existe uma transição clara de balneário sazonal para cidade de moradia permanente — comenta.
Atualmente, a empresa possui três empreendimentos em andamento: Acqua Beach Cassino, com 220 unidades em fase final de obra; Acqua Resort Cassino, com 196 unidades em fase inicial; e Vitta Resort Cassino, com 404 unidades em fase inicial de comercialização.
— Hoje, cerca de 50% dos compradores buscam segunda residência, 30% moradia permanente e 20% investimento em aluguel de temporada — complementa Nascimento.
Já para o corretor Maurício Potrich, da imobiliária Une Rio Grande, a valorização se concentra especialmente em áreas mais consolidadas do balneário. Segundo ele, o crescimento populacional recente ampliou o perfil de compradores de fora da cidade.
— A região mais valorizada está no entorno da Avenida Rio Grande, principalmente entre a São Leopoldo e a Atlântica, além do eixo entre Arroio Grande e Júlio de Castilhos. É uma área com forte vocação residencial e comercial, o que garante alta liquidez e demanda constante. Há procura de cidades como Bagé, Dom Pedrito, Canguçu e Camaquã, o que mostra uma regionalização do interesse pelo Cassino — explica.
Da cidade ao Cassino
Morador do balneário há dois anos, o rio-grandino Douglas Moraes, 33 anos, conta que antes morava no Bairro Junção, em Rio Grande. Contudo, precisou mudar para o balneário.
— No começo, o processo de adaptação foi um pouco difícil, porque toda a minha rotina estava na cidade, trabalho, minha filha, tudo. Mas, com o tempo, as coisas foram se ajustando e hoje já está tudo normal — relata.
Segundo ele, a principal mudança está na qualidade de vida.
— Antes eu morava em apartamento, e lá (no Cassino) é casa, então tem bem mais espaço. Mas o principal mesmo é a tranquilidade. O Cassino tem a praia, que eu adoro para caminhar e andar de bicicleta. É um lugar mais calmo e, hoje em dia, já é praticamente uma cidade — complementa Douglas.
Impacto na arrecadação tributária
O crescimento do Balneário Cassino ainda enfrenta desafios na área tributária, conforme avaliação do secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Rio Grande, Glauber Gonçalves.
Dados da Secretaria da Fazenda mostram que o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) lançado no Cassino, incluindo o Bolaxa, passou de R$ 8,9 milhões, em 2020, para R$ 11,8 milhões em 2025. Isso representa um crescimento de mais de 32% no período.
Já o IPTU efetivamente pago aumentou de R$ 5,4 milhões para R$ 8,9 milhões, uma alta de cerca de 64%, indicando melhora na arrecadação real, embora ainda abaixo do potencial do mercado imobiliário local.
— O impacto no IPTU é pequeno. A planta de valores está defasada, há alta taxa de clandestinidade e incertezas jurídicas, o que resulta em arrecadação irrisória e limita o avanço da infraestrutura. Precisamos atualizar o Plano Diretor — afirma Glauber.
Infraestrutura é desafio
Devido à demanda populacional, obras de drenagem estão sendo intensificadas na região.
— As principais vias do bairro, como a Rua do Camping, já receberam drenagem e pavimentação. Temos três quilômetros de extensão de iluminação pública instalada, além de qualificação de praças, equipamentos comunitários e novos banheiros públicos. O foco é garantir conforto, segurança e infraestrutura adequada para os moradores — destaca Miguel Satt, secretário do Cassino.
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