
As vendas do comércio de Pelotas registraram queda de 4,5% em abril, na comparação com o mesmo período do ano passado. O principal fator apontado pelos lojistas é o calor fora de época, que reduziu drasticamente a procura por vestuário de outono-inverno. Com os termômetros próximos dos 30°C, os consumidores adiam a renovação do guarda-roupa, mesmo diante de vitrines já preparadas para a nova coleção.
A estudante Rafaela Hackbart é um exemplo dessa resistência. Ao ser questionada sobre a busca por casacos, a resposta foi direta:
— Ainda não. O frio não chegou, então as roupas continuam de verão — afirmou.
A percepção se repete entre outros clientes. A também estudante Juliana Vieira conta que buscava peças mais leves, mas encontrou dificuldade diante da mudança das coleções:
— Eu estava procurando um vestido curto, porque não estamos bem no inverno ainda. Mas agora nas lojas só tem manga longa — pondera.

Lojistas sentem desaceleração
O impacto do clima é sentido diretamente no dia a dia das lojas. Com a chegada antecipada das coleções, parte das peças ficou represada, uma vez que o estoque de verão já foi liquidado.
— A gente vê que deu uma parada porque o calor está se estendendo. Estamos com a loja pronta, mas o clima não quer ir embora, então ficamos estacionados — relata a vendedora Carmen Canieles.
Para manter o movimento, os estabelecimentos apostam em uma transição gradual, oferecendo peças de meia-estação. A vendedora Maria Ávila explica que a tática é atrair o público com roupas leves para, aos poucos, apresentar as opções mais pesadas.
Queda interrompe sequência positiva
Segundo o Sindilojas Pelotas, o desempenho negativo de abril interrompe uma sequência de bons resultados. O presidente da entidade, Renzo Antonioli, destaca que o setor vinha de um "surpreendente mês de março" e esperava que o ritmo se mantivesse.
— O clima não está nos ajudando. Está acontecendo uma reparação grande, principalmente nos produtos relacionados à temperatura. Até o dia 15 de abril, estamos em queda — afirma.
Redes sociais ajudam a segurar vendas
Em meio à retração física, o marketing digital tornou-se a principal ferramenta de sobrevivência. Em alguns estabelecimentos, o Instagram já representa 30% do faturamento total.
— Temos uma profissional focada em conteúdo diário, que é o que traz o cliente até aqui. Muita gente já chega com a foto no celular — conta o gerente Rodrigo Mendes.

Enquanto o frio não vem, consumidores como a autônoma Michele da Silva aproveitam para antecipar compras para o próximo ano.
— Tem bastante desconto agora, estou pegando a liquidação já para o ano que vem. Vale a pena aproveitar — relata.
Atenção à margem de lucro
Apesar da necessidade de girar o estoque, o Sindilojas orienta prudência. A recomendação é que o comerciante não queime os produtos de inverno precocemente.
— É preciso ter cautela. Sabemos que o calor é temporário. O lojista não deve abrir mão da sua margem de lucro agora, pois vai precisar dela ali na frente, quando o frio chegar — finaliza o dirigente.
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