
O conflito no Oriente Médio, entre Irã, Estados Unidos e Israel, chamou atenção para como tensões internacionais podem afetar o comércio brasileiro. Apesar de o país persa representar apenas 3% das exportações do Porto de Rio Grande, ele é um destino relevante para o agronegócio gaúcho.
Especialistas alertam que, mesmo com essa participação relativamente pequena, a instabilidade pode gerar impactos indiretos significativos, principalmente nos custos logísticos, no transporte marítimo e nos preços de commodities como milho e soja.
Em 2025, o comércio entre o Brasil e o Irã atingiu cerca de US$ 3 bilhões, sendo o agronegócio o principal responsável.
O milho brasileiro representou 67,9% das exportações destinadas ao Irã, segundo dados do Agrostat Brasil, somando mais de US$ 1,9 bilhão e reforçando o país como um dos maiores compradores do grão brasileiro.
Segundo o economista Eduardo Tillmann, qualquer interrupção comercial tende a ter efeito proporcional à participação do país nas exportações gaúchas, afetando, sobretudo, o milho.
— O milho merece atenção especial. O Irã figura como um dos destinos relevantes desse produto dentro da pauta gaúcha. Assim, uma interrupção abrupta tende a gerar impacto proporcionalmente maior sobre o milho do que sobre a soja, podendo provocar pressão baixista temporária nos preços regionais e eventual elevação de estoques — afirma.
Ainda conforme o especialista, para produtos como a carne bovina, o impacto é diferente, podendo resultar em efeitos indiretos sobre os custos logísticos e o comércio internacional.
— A carne bovina enfrenta exigências sanitárias e habilitações específicas, o que torna o redirecionamento mais lento e potencialmente mais custoso. Um conflito pode pressionar os preços do petróleo, elevando custos logísticos, principalmente para rotas que envolvam o Oriente Médio — complementa.
De acordo com Gustavo Feddersen, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), os impactos do conflito podem refletir rapidamente em custos globais, incluindo frete marítimo, seguros e preços do petróleo. Esses efeitos reverberam não apenas sobre o Porto de Rio Grande, mas sobre toda a cadeia de exportação brasileira.
— Podemos dizer que os impactos nos fluxos comerciais, decisões de investimento, valor das moedas e aumento do custo dos seguros marítimos, advindos dos conflitos, geram repercussões sistêmicas. Isso pode reduzir a competitividade do Brasil no comércio internacional." —
— reforça Gustavo Feddersen, professor de Relações Internacionais da Furg.
Apesar desses efeitos, o Porto de Rio Grande conta com diversidade de cadeias produtivas e destinos, o que limita o risco estrutural. O que muda, segundo os especialistas, é a necessidade de monitorar custos logísticos e preços de commodities que dependem diretamente de mercados afetados pelo conflito.
— Em síntese, trata-se de um choque potencialmente relevante no curto prazo para cadeias específicas, especialmente o milho, mas que dificilmente configuraria uma ruptura estrutural do agronegócio gaúcho ou do comércio exterior do Estado — finaliza Feddersen.
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