
Em meio à colheita do arroz, produtores da Zona Sul gaúcha relatam dificuldades para conseguir óleo diesel, combustível essencial para movimentar máquinas agrícolas e transportar os grãos. A situação gera incerteza no campo e pode impactar diretamente os custos e o ritmo da safra.
Segundo o diretor industrial e produtor rural Dilnei Portantiolo, o preço do combustível subiu significativamente nas últimas semanas.
— Estamos pagando R$ 7,49 o litro de óleo diesel, quando antes pagávamos R$ 5,48. Isso impacta muito na produção, porque o produtor, nesta época, gasta muito diesel. As colheitadeiras consomem cerca de 300 litros por dia, dependendo do tamanho da máquina e das horas trabalhadas. É bastante preocupante — afirma.
Além do aumento no preço, a situação também já afeta as negociações da indústria.
— A gente suspendeu vendas. A grande maioria das empresas suspendeu as vendas na quarta-feira da semana passada porque não sabiam os preços dos fretes. Como vendemos o arroz entregue na casa do cliente, somos impactados diretamente pelo frete, que vai aumentar agora — explica Portantiolo.
Distribuição do combustível preocupa produtores
Os produtores rurais costumam ser abastecidos por meio das chamadas TRRs (transportadoras, revendedoras e retalhistas), empresas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a comprar combustível em grande quantidade e transportá-lo até as propriedades rurais.
As refinarias estariam fornecendo diesel normalmente aos postos de combustíveis, mas o produto não estaria sendo repassado às TRRs, o que dificulta o abastecimento direto das lavouras.
Contexto internacional influencia preços
O aumento no preço do diesel está relacionado ao cenário internacional. A tensão no Oriente Médio e o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima por onde passa grande parte do petróleo mundial, contribuíram para a alta do combustível e dificultaram a importação.

Para o produtor rural Fernando Rechsteiner, a situação é preocupante.
— É inadmissível termos que parar os trabalhos de colheita por falta de combustível. Infelizmente, essa já é a realidade de parte dos produtores, que enfrentam extrema dificuldade para conseguir diesel — afirma.
Ele alerta que a falta do combustível pode comprometer a safra.
— Sem combustível não tem colheita, e o produtor corre o risco de ver todo o trabalho da safra sendo perdido — lamenta.
ANP diz que estoques estão regulares

Em nota, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que os estoques de diesel estão regulares no Rio Grande do Sul e que a Refinaria Alberto Pasqualini opera normalmente. Segundo o órgão, o Estado produz mais diesel do que consome e não há justificativa técnica para falta do produto.
A agência também informou que as distribuidoras serão notificadas e que eventuais aumentos abusivos de preços serão investigados.
Orientação aos produtores
A Federarroz, por sua vez, orientou os produtores a denunciarem tanto a falta de diesel quanto aumentos abusivos de preços.
Segundo a entidade, agricultores têm relatado alta nos valores, cancelamento de vendas e alegações de ausência de estoque por parte de estabelecimentos que comercializam o combustível.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



