
As chuvas mais regulares registradas desde o início do verão têm favorecido a recuperação das pastagens na região da Campanha gaúcha. Com maior oferta de alimento no campo, produtores rurais já observam ganho de peso mais acelerado do gado e projetam um ano mais favorável para a pecuária.
Em propriedades onde o campo nativo ainda é a principal fonte de alimentação do rebanho, o pasto verde indica melhores condições para os animais. O desempenho depende de fatores como manejo e investimento, mas o clima segue sendo decisivo para a atividade.
— Muita coisa depende da gente, do investimento, da escolha de técnicas e de manejos, protocolos sanitários que a gente precisa desenvolver, mas o clima é fundamental — afirma o produtor rural Eduardo Botelho, que trabalha com cria, recria e engorda de gado em Bagé.
Segundo ele, as medições feitas na propriedade indicam que o volume de chuvas registrado entre dezembro e os primeiros meses deste ano já supera o do verão passado. Com maior regularidade de precipitações, cresce a oferta de pasto — e os animais respondem rapidamente.
— Em média, as vaquilhonas dessa categoria estavam com 330 quilos. Hoje estão com 409 quilos. Em cerca de 100 dias, isso representa um ganho aproximado de 750 gramas por dia — relata.
Com pastagens em boas condições, muitos produtores conseguem antecipar etapas do ciclo produtivo, como a venda de animais ou a reprodução do rebanho. Além de acelerar a comercialização, a estratégia também reduz os custos de manutenção nas propriedades.
Para o extensionista rural Guilherme Zorzi, da Emater/RS-Ascar, a boa base forrageira tem impacto direto na renda dos pecuaristas.
— O próprio campo, como base forrageira, é muito econômico para o produtor, então isso reflete positivamente no que sobra no bolso. O mercado também está em um momento de alta, o que gera investimentos na atividade, com produtores retendo matrizes para ampliar seus rebanhos — explica.

Na propriedade do produtor Matheus Cardozo, também em Bagé, as pastagens de verão têm garantido bom desempenho para o rebanho. Em uma área de 50 hectares, ele cria cerca de 45 bovinos e já projeta uma venda com margem positiva.
— Pretendo comercializar os animais em torno de R$ 3,14 o quilo. Como adquiri por um valor inferior, aliado ao ganho de peso que eles estão tendo, conseguimos um retorno significativo por animal — afirma.
Depois de anos marcados por dificuldades climáticas, a expectativa é de recuperação no setor.
— Muitos produtores precisaram tirar dinheiro de outros lugares para investir nas propriedades. Agora estamos nos encaminhando para um ano bom. Tomara que as chuvas continuem e que a gente tenha êxito no final — projeta Cardozo.


