
O fechamento recente de unidades da rede Marisa e da tradicional loja de brinquedos França, no Centro de Pelotas, levantou debates sobre o avanço do comércio eletrônico sobre as lojas de rua. No entanto, para o presidente do Sindilojas Pelotas, Renzo Antonioli, a explicação para o encerramento das atividades passa longe de ser uma "supremacia digital".
Segundo o dirigente, o impacto dos aplicativos e sites, embora relevante, ainda é limitado diante do volume total de vendas no município.
Antonioli detalha que o e-commerce detém, atualmente, uma fatia de 15% do varejo geral.
— Obviamente que perder 15% do segmento é preocupante, mas essa perda vem ocorrendo de forma gradual desde a implantação do sistema. Não atribuo o fechamento de empresas à venda online, a não ser em questões extremamente pontuais — afirma.
Crises internas e o fator "brinquedo"
A análise do Sindilojas aponta que os casos recentes possuem motivações particulares. No caso da rede Marisa, o fechamento foi classificado como "natural" devido a dificuldades financeiras do grupo que já eram de conhecimento público.
Já o setor de brinquedos enfrenta um desafio logístico e de fluxo. O fechamento da loja França e, anteriormente, da Superfestas, indicam uma fragilidade no nicho.
Dezembro teve queda histórica
O que preocupa a liderança empresarial não é a concorrência virtual, mas o desempenho recente do mercado consumidor gaúcho. Dezembro de 2025 foi apontado como um dos meses mais difíceis da última década para o varejo de Pelotas.
Em alguns segmentos, a queda nas vendas chegou a 30% em relação a 2024. O movimento negativo se estendeu por janeiro de 2026.
— Isso talvez nos preocupe mais do que o fechamento pontual dessas lojas. Temos que ficar atentos a fevereiro e esperar que, em março, a gente retome o volume de vendas — projeta Antonioli.
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