
Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) mostram que Pelotas e Rio Grande, as cidades mais populosas da Zona Sul, fecharam o ano de 2025 com 2.882 novas vagas de emprego de carteira assinada.
Em Pelotas, foram contabilizadas 33.855 admissões e 31.511 desligamentos ao longo de 2025, o que resultou em saldo positivo de 2.344 novos postos de trabalho com carteira assinada.
A indústria foi o principal destaque na geração de empregos, com saldo positivo de 1.590 vagas, seguida pelo setor de serviços, com 883 novas vagas.
— O grande impacto na geração de emprego industrial em Pelotas foi devido à fabricação de conservas de frutas, que teve importante recuperação no município. Desses 1.590 empregos gerados no setor, 1.554 foram em conservas de frutas — explica Ricardo Aguirre Leal, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
A agropecuária apresentou crescimento discreto, com saldo de oito vagas, enquanto a construção civil e o comércio fecharam o ano com resultados negativos de -54 e -83 postos, respectivamente.
No detalhamento setorial, a indústria registrou 5.759 admissões e 4.169 desligamentos, mantendo um estoque de 9.223 vínculos formais, com variação positiva de 20,83% no ano.
Os serviços concentraram o maior volume de movimentações, com 13.701 admissões e 12.818 desligamentos, alcançando um estoque de 33.383 empregos formais e crescimento relativo de 2,72%.
A agropecuária contabilizou 261 admissões e 253 desligamentos, com estoque de 766 vínculos e variação positiva de 1,06%. A construção civil somou 3.469 admissões e 3.523 desligamentos, encerrando o ano com 4.360 empregos ativos e retração de 1,22%.
Já o comércio registrou 10.665 admissões e 10.748 desligamentos, mantendo um estoque de 19.988 vínculos, com variação negativa de 0,41%.
Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, Pelotas encerrou dezembro com desempenho negativo no mercado de trabalho. No último mês de 2025, foram 681 admissões e 791 desligamentos, resultando em saldo de -110 vagas formais.
A indústria concentrou a maior queda, com -110 postos, e o comércio também fechou o mês no vermelho, com -14 vagas.
— Esse é um movimento sazonal consistente no município. O saldo negativo em dezembro de 2025 foi pequeno em comparação aos anos anteriores – cerca de 30% da queda média dos últimos três anos. Esse é um dos fatores que está relacionado ao saldo total positivo de 2025 — complementa Ricardo.
Rio Grande
Em Rio Grande, o saldo de empregos formais em 2025 foi positivo em 538 vagas, resultado de 21.559 admissões e 21.021 desligamentos no período.
A construção civil foi o setor com melhor desempenho no ano, com saldo positivo de 314 postos de trabalho, seguida pelos serviços, com 294 vagas, e pelo comércio, que registrou 74 novos empregos formais.
—No setor de construção, é possível que o município esteja experimentando um movimento de reversão, com contração para os próximos anos na construção de edifícios — comenta o economista.
Em contrapartida, a agropecuária apresentou saldo negativo de -53 vagas, enquanto a indústria encerrou o ano com -91 postos de trabalho.
O estoque total de empregos formais no município chegou a 42.853 vínculos, sendo 22.424 nos serviços e 9.577 no comércio.
— O setor de serviços vem expandindo de forma consistente em ambos há anos, principalmente em Rio Grande, apesar de, em 2025, ter apresentado uma variação positiva menor que em Pelotas. Essa expansão dos empregos nos serviços é o acompanhamento de um movimento amplo, que ocorre também no Rio Grande do Sul e no Brasil — relata Leal.
Assim como em Pelotas, Rio Grande também fechou dezembro com saldo negativo. No último mês de 2025, o município registrou 1.497 admissões e 1.988 desligamentos, o que resultou em saldo de -491 vagas formais.
Setores que mais movimentaram
Os serviços concentraram a maior movimentação de empregos nos dois municípios. Em Pelotas, o setor registrou 13.701 admissões e 12.818 desligamentos, enquanto em Rio Grande foram 9.992 admissões e 9.698 desligamentos.
O comércio também apresentou rotatividade, com 10.665 admissões e 10.748 desligamentos em Pelotas, e 5.633 admissões e 5.559 desligamentos em Rio Grande.
Quanto ao tempo médio de emprego dos trabalhadores desligados, Pelotas apresentou média geral de 21,4 meses, com maior permanência nos serviços (25,2 meses) e na agropecuária (24,6 meses).
Em Rio Grande, o tempo médio foi de 17,9 meses, com destaque para a indústria (21,7 meses) e menor duração na construção civil (8,9 meses).



