
A nova planta de produção de hidrogênio e amônia verde da empresa paulista Fontes Verdes será instalada no Distrito Industrial de Rio Grande no segundo semestre deste ano. A confirmação ocorreu na tarde de terça-feira (13), durante visita técnica dos empresários à prefeitura e às instalações da área que sediará a indústria.
Em dezembro, a empresa já havia informado que avaliava o potencial do município para a implantação da unidade. Com a decisão oficializada, a previsão é de que o empreendimento avance para as próximas etapas de licenciamento e implantação. A Fontes Verdes já atua no ramo desde 2015.
O investimento da empresa será de R$ 220 milhões nesta primeira etapa. Mais de 60% dos recursos serão destinados à compra de equipamentos junto a fornecedores internacionais.
— O contato com a empresa começou em maio de 2025. Em setembro, foi a primeira visita dos executivos da Fontes Verdes e, agora, a gente culminou com o anúncio formal do projeto. Estamos cumprindo com a nossa meta de prospecção, atração de investimentos e promoção comercial da cidade do Rio Grande — comenta Vitor Magalhães, secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar.

A unidade no município rio-grandino terá capacidade inicial para produzir quatro mil toneladas de amônia verde por ano, insumo utilizado na fabricação de fertilizantes de baixo carbono. Esses fertilizantes costumam ser utilizados em plantações de soja e milho.
Segundo o diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, a chegada da nova planta irá impulsionar a produção de fertilizantes no distrito, favorecendo empresas e agricultores da região.
— É um produto diferenciado, que vai ajudar a produção de fertilizantes aqui do nosso complexo industrial. Isso também será utilizado por agricultores, por aqueles que compraram o fertilizante e querem uma certificação de descarbonização — comenta.
Durante a instalação da planta, serão gerados 80 postos de trabalho e, na fase de execução, outros 60. Segundo a empresa, será priorizada a mão de obra local.
— A ideia é articular com órgãos e instituições de ensino profissionalizante regionais a capacitação profissional da população local. Estudamos desenvolver um programa profissionalizante, em parceria com a prefeitura, para capacitar profissionais nas áreas de extração de hidrogênio verde e síntese de amônia de baixo carbono — afirma Guilherme Fontana, CEO da empresa.
Ainda conforme a empresa, as primeiras contratações para a fase de construção devem ocorrer até o final desse semestre, logo após a finalização das aprovações do projeto e suas documentações.
— A fase de implantação de construção é a que vai apresentar o maior número de oportunidades. Durante esse período vamos desenvolver cerca de 120 vagas. As principais funções durante nessa fase serão: montagem, pedreiros, armadores, carpinteiros, montadores, operadores de máquinas (guindastes), eletricistas, ajudantes e auxiliares em geral — complementa Fontana.
Transição energética
A produção de hidrogênio e amônia verde está diretamente associada ao processo de transição energética, que busca substituir fontes fósseis por alternativas renováveis e de menor impacto ambiental.
No caso do hidrogênio verde, a produção ocorre por meio da eletrólise da água, processo que separa as moléculas de hidrogênio e oxigênio com o uso de energia elétrica oriunda de fontes limpas.
— Para produzir hidrogênio é preciso água e energia. Isso é feito a partir da eletrólise, onde ao quebrar a moleca dividimos hidrogênio para um lado e oxigênio para outro, servindo a duas indústrias distintas. São chamados de verdes quando a fonte energética é limpa (no caso, das eólicas offshore) — explica Marcelo Dutra, ecólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
Apesar de ser considerada uma fonte energética de alta eficiência, a produção do hidrogênio verde exige o uso de água de alta qualidade, o que impõe desafios ambientais e de gestão de recursos naturais.
Ainda segundo Dutra, não se trata de um processo isento de impactos, o que reforça a necessidade de planejamento e controle rigoroso.
— O hidrogênio é uma fonte energética de extrema eficiência, mas para ser produzido é preciso fazer uso de água de alta qualidade, o que por vezes pode se mostrar uma dificuldade e/ou uma escolha difícil. Não existe impacto zero e este é um ponto importante a considerar — pontua.
A amônia verde, por sua vez, é obtida a partir do hidrogênio verde combinado ao nitrogênio capturado do ar, utilizando o processo de Haber-Bosch. A diferença em relação ao método tradicional está justamente na origem do hidrogênio, que, ao ser produzido com energia renovável, reduz de forma significativa as emissões de dióxido de carbono.
— O Rio Grande ganha protagonismo nacional com essa empresa, demonstrando o compromisso com a sustentabilidade, o que já havia sido indicado nos estudos do governo estadual, que apontaram o Rio Grande como um dos principais polos possíveis para a produção de energia sustentável: parques eólicos, hidrogênio verde, toda essa nova matriz, tende a se transformar no futuro em um polo de referência — finaliza Henrique Ilha.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.


