
A empresa japonesa JB Energy vai instalar sua primeira subsidiária no Brasil no Parque Científico e Tecnológico da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o Oceantec, em Rio Grande, no Sul do Estado.
A companhia é responsável pelo projeto-piloto Aura Sul Wind, que pretende tornar o Rio Grande do Sul o primeiro estado brasileiro a produzir energia eólica offshore flutuante.
O projeto prevê a instalação de torres eólicas flutuantes em alto-mar, a cerca de 60 quilômetros da costa. A primeira unidade está programada para 2029, com um período de testes de três anos antes do início da operação completa da fazenda eólica, previsto para 2032.
Nesta quinta-feira (15), deverá ser assinado um acordo de cooperação entre a JB Energy, a Prefeitura de Rio Grande e a Furg, formalizando a instalação da empresa no Oceantec. Segundo o diretor do Parque Tecnológico, Samuel Bonato, o ato será simbólico neste primeiro momento.
— A empresa será residente do Parque Tecnológico, com sua sede brasileira no Oceantec. Vamos fazer uma assinatura simbólica de intenção de residência, pois ainda não temos todos os documentos. Também haverá a assinatura de um termo de cooperação com a Prefeitura de Rio Grande. Esse acordo firma a parceria da Prefeitura como apoiadora do projeto — explica.
De acordo com Bonato, a presença da JB Energy no parque vai além da instalação de um escritório administrativo. A proposta envolve integração com a universidade, utilização de laboratórios, desenvolvimento de pesquisas e a participação de estudantes, pesquisadores e professores.
— Não se trata apenas de instalar uma torre no mar, mas de criar toda uma cadeia de desenvolvimento, pesquisa e inovação em Rio Grande — destaca.
Ele explica que os parques tecnológicos oferecem uma estrutura física e institucional que permite a instalação tanto de empresas consolidadas quanto de novos empreendimentos inovadores.
— Os parques tecnológicos têm uma estrutura que possibilita que empresas utilizem esses espaços para sua instalação. Podemos ter centros de pesquisa e desenvolvimento ou empresas que são totalmente residentes aqui — afirma.
Para se tornar residente, a empresa precisa apresentar um projeto de interação com a universidade, prevendo a contratação de estudantes, estagiários e bolsistas, além da realização de projetos com laboratórios e grupos de pesquisa da Furg.
— Elas pagam um valor por metro quadrado muito abaixo do valor de mercado e apenas a energia elétrica consumida. Em contrapartida, a universidade oferece segurança, estacionamento, água, copa e espaços comuns — detalha.
No caso da JB Energy, Bonato ressalta que a escolha por Rio Grande também permite iniciar a operação de forma mais enxuta no Brasil.
— Uma empresa que abre uma subsidiária poderia estar em um grande centro, pagando valores muito altos. Aqui, ela tem um espaço disponível, um endereço institucional e uma estrutura que dá segurança para começar a operação, ao mesmo tempo em que todo o aprendizado retorna para a universidade — afirma.
Primeira unidade em 2029
Liderado por um consórcio que reúne empresas nacionais e internacionais, sob responsabilidade da JB Energy, o projeto-piloto Aura Sul Wind ainda está em fase inicial.
A previsão é que os testes em mar aberto comecem a partir de 2029, a cerca de 60 quilômetros da costa do município de Rio Grande.
A escolha da região envolve vantagens estratégicas, como o recurso eólico e a infraestrutura portuária, colocando Rio Grande no centro da inovação em energia renovável no país. As plataformas flutuantes serão inteiramente construídas no Brasil.
A tecnologia Raijin Float, desenvolvida pela JB Energy, utiliza concreto protendido, o que reduz custos, agiliza o processo construtivo e ativa a cadeia produtiva nacional.
O projeto utilizará uma das turbinas eólicas mais potentes do mundo, a MySE 18 MW, da fabricante Ming Yang Smart Energy.
O equipamento tem capacidade até quatro vezes maior do que turbinas onshore comumente utilizadas no Brasil. Com fator de capacidade estimado em 55%, a geração deverá ser mais constante e complementar à energia solar, reduzindo a dependência de fontes térmicas fósseis.
Os módulos das plataformas serão pré-fabricados no Rio Grande do Sul e montados no município de Rio Grande, com expectativa de utilização da estrutura do Estaleiro Rio Grande. Segundo a empresa, tratativas estão em andamento com a Prefeitura de Rio Grande e o governo estadual.



