
O município de Rio Grande passa a contar, a partir desta quinta-feira (15), com a subsidiária brasileira da empresa japonesa JB Energy.
A formalização ocorreu nesta tarde com a assinatura de um convênio simbólico entre a companhia, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a prefeitura de Rio Grande, marcando a instalação da empresa no Parque Científico e Tecnológico (Oceantec).
Na ocasião, também foi apresentado à comunidade o projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante Aura Sul Wind.
Liderado pela JB Energy, em parceria com um consórcio de 14 entidades, entre empresas, universidades e instituições públicas, o projeto prevê a instalação de plataformas eólicas flutuantes a cerca de 60 quilômetros da costa de Rio Grande.
A iniciativa tem como objetivo tornar o Rio Grande do Sul o primeiro Estado brasileiro a produzir energia eólica offshore flutuante.
Segundo o CEO da JB Energy, Rodolfo Gonçalves, a decisão de instalar a subsidiária no município está relacionada à estratégia de aproximação com o território, reforçando o papel de Rio Grande no cenário da transição energética:
— Não queremos fazer um projeto para Rio Grande, queremos fazer um projeto com Rio Grande. A iniciativa reforça a posição estratégica da cidade, que sabe olhar para o mar não apenas como paisagem, mas como futuro.
O projeto conta com investimento inicial estimado em US$ 100 milhões para a fase de testes, com foco na validação da tecnologia.
A proposta é gerar energia limpa, impulsionar a indústria local e criar empregos. Os testes estão previstos para começar em 2029, com início das operações em 2030, utilizando turbinas de grande porte.
Para a prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, a iniciativa evidencia o potencial natural do município como base para um modelo de desenvolvimento sustentável:
— Vento e água são ativos que nós temos e que precisam ser considerados ao pensar o desenvolvimento dentro da lógica da sustentabilidade, que é o caminho seguido pelo mundo.
Durante o desenvolvimento do projeto-piloto, a Furg atuará com uma equipe multidisciplinar nas áreas ambiental, socioeconômica e tecnológica.
— Estamos estruturando uma equipe para contribuir com os projetos de ciência, tecnologia e inovação associados ao Aura Sul Wind — explica Osmar Olinto Möller Junior, integrante do grupo de pesquisadores da universidade.
Licenciamento ambiental
De acordo com a empresa, o ponto de instalação já foi definido, permitindo o encaminhamento dos pedidos de licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de consultas à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Paralelamente, a plataforma flutuante, desenvolvida originalmente para águas do Japão, está sendo adaptada às condições oceânicas de Rio Grande.
— Utilizaremos apenas sistemas de ancoragem, o que torna o licenciamento ambiental mais favorável do que no caso de plataformas fixas. Além disso, a cerca de 60 quilômetros da costa, o impacto sobre as comunidades é menor, permitindo uma convivência equilibrada com o espaço marinho — afirma Rodolfo Gonçalves.
Fases do projeto
O Aura Sul Wind está estruturado em quatro fases, que vão do pré-detalhamento de engenharia ao monitoramento do projeto-piloto, antes de uma eventual fase comercial.
Lançado no final de 2025, o projeto entra agora em um período de cerca de três anos dedicado ao detalhamento de engenharia e à articulação de financiamento, incluindo tratativas com o governo federal.
— Essa etapa será fundamental para coletar dados, gerar conhecimento e compartilhar informações antes de avançar para a fase comercial. A ideia é que essas informações sirvam de base para a construção do arcabouço regulatório da energia eólica offshore no Brasil — explica o CEO.
A previsão é que a construção tenha início em 2029. Após o começo das obras, haverá um período estimado de três anos de monitoramento do projeto-piloto.





