
Localizado entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, o município de Rio Grande consolidou-se como um dos principais polos da economia do mar no Sul do Estado.
A posição geográfica estratégica e a diversidade de atividades ligadas ao ambiente costeiro impulsionam o avanço da chamada economia azul, conceito que busca unir crescimento econômico, inovação e sustentabilidade no uso dos recursos marinhos, costeiros e hídricos.
— A economia azul é essa economia com sustentabilidade, ou seja, trazer sustentabilidade para todas as atividades econômicas. Aqui a gente tem logística, atividade portuária, transporte aquaviário, mineração costeira e oceânica, pesca e aquicultura. Enfim, todo um complexo industrial ao redor deste território — explica Artur Gibbon, coordenador do Grande Pacto, ex-diretor da Oceantec e professor da Furg, diretor de Ambientes de Inovação da Anprotec e coordenador do INOVA RS – Região Sul.
"Não podemos ficar de costas para o mar"

Um dos motores desse movimento é o Grande Pacto da Inovação, iniciativa que reúne governo, academia, sociedade civil e empresariado na construção de projetos colaborativos. O modelo, já reconhecido internacionalmente, tem sido usado para fortalecer o ecossistema de economia azul e ampliar a capacidade de inovação de Rio Grande.
Segundo o secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar, Vitor Magalhães, o Pacto torna-se referência por promover uma articulação horizontal e inclusiva:
— Possibilitar que pessoas diferentes cocriem e aprimorem projetos juntas não tem preço. A economia azul já contribui muito para o desenvolvimento econômico da cidade. Mais de um terço do nosso PIB corresponde a exportações do Porto. Não podemos ficar de costas para o mar: ele representa a vida de Rio Grande — afirma.
Desde 2022, quando foi criado por instituições como Prefeitura, Câmara de Comércio, Furg, APL Marítimo e Sebrae, o pacto já executou 18 projetos, sendo nove concluídos, nas áreas de inovação, sustentabilidade, qualificação profissional e modernização de serviços ligados ao mar.
Entre as ações estão o desenvolvimento da marca da cidade, o posicionamento estratégico do turismo, programas de incubação e iniciativas de impacto social como a Rede Família Rio-Grandina. Outros projetos seguem em andamento, como o de cultura oceânica, previsto para avançar a partir de 2026, e o VTS, serviço de monitoramento do tráfego de embarcações.
— A colaboração entre instituições fortalece a inovação e gera resultados que impactam diretamente a comunidade — destaca Gibbon.
Pesquisa, tecnologia e novos mercados
Rio Grande também se firma como polo de pesquisa e tecnologia voltado ao mar. A Universidade Federal de Rio Grande (Furg), referência nacional em ciências marítimas, lidera estudos e parcerias, incluindo projetos de monitoramento climático e pesquisas em aquicultura.
— Temos uma estação de piscicultura que gera pesquisas de camarão, o Ciex, e parcerias que buscam soluções para problemas climáticos. Além disso, estamos realizando, entre 2024 e 2026, um mapeamento da economia azul no Rio Grande do Sul, para entender nosso território e identificar novas potencialidades — explica.
A presença de startups de biotecnologia marinha e empresas vinculadas ao Oceantec reforça o avanço da inovação. Segundo Gibbon, qualquer nova indústria instalada na região, pela própria geografia, acaba integrada à economia do mar.
Parceria internacional amplia fronteiras da Economia Azul

Em março deste ano, a prefeitura firmou um acordo de cooperação com o Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal, durante o Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul.
O objetivo é promover intercâmbio acadêmico, empreendedorismo e inovação, além de internacionalizar ainda mais o Fórum.
— Não queremos reinventar a roda. Buscamos quem já faz bem para aprender e adaptar ao nosso território. Vimos o quanto podemos avançar, especialmente na pesca e em tecnologias ligadas ao mar. Nosso objetivo é transformar potencial em resultado — reforça Magalhães.
Turismo Azul: cultura, natureza e desenvolvimento
Ainda conforme Vitor Magalhães, a estratégia de Rio Grande também passa pelo Turismo Azul, que valoriza atividades culturais, ambientais e recreativas ligadas ao mar. A cidade incentiva empreendedores a investir em turismo náutico, esportes aquáticos, gastronomia costeira e roteiros ecológicos.
— Visitamos cidades com menos potencial do que Rio Grande e vemos que aproveitam mais. Estamos trabalhando para qualificar o verão no Cassino e tornar o inverno igualmente atrativo — comenta o secretário.
Encontro de cocriação
Dando sequência ao movimento colaborativo, um workshop de cocriação de projetos será realizado no dia 4 de dezembro, reunindo comunidade, lideranças e representantes dos diversos setores que integram o Grande Pacto da Inovação.
O objetivo é construir novas propostas, ampliar a participação social e fortalecer as iniciativas voltadas à inovação, ao desenvolvimento sustentável e à economia azul. A partir do encontro, os novos projetos serão votados pela mesa diretiva em fevereiro.





