
O Rio Grande do Sul está prestes a se tornar o primeiro Estado brasileiro a produzir energia eólica offshore flutuante com o projeto-piloto Aura Sul Wind e o município de Rio Grande, no Sul do Estado, será o protagonista neste avanço.
Liderado por um consórcio que reúne empresas nacionais e internacionais sob responsabilidade da empresa japonesa JB Energy, o piloto ainda está em fase inicial, mas projeta iniciar os testes em mar aberto a partir de 2029, a 60 quilômetros da costa do município de Rio Grande.
A decisão de instalar o projeto próximo ao município de Rio Grande envolve vantagens estratégicas como o recurso eólico e a infraestrutura portuária presente na região, colocando a cidade no centro da inovação em energia renovável no país.
— A decisão pela localização foi fundamentalmente orientada por um Estudo Técnico para a Identificação de Área de Interesse. Até cerca de 40 km da praia, há áreas de alta sensibilidade, como espécies de baleia-franca. Com base nesse diagnóstico, a opção a 60 km foi selecionada em um cenário que equilibra desenvolvimento e conservação — afirma o ex-professor da Universidade de Tóquio e CEO da empresa japonesa de Energia Azul, JBEnergy, Rodolfo Gonçalves.
Conforme a empresa japonesa, o Porto do Rio Grande terá papel central no empreendimento, servindo como apoio logístico e base para montagem das plataformas flutuantes. Além disso, também será o primeiro consumidor da energia gerada.
— O Porto assumirá a função de primeiro consumidor da energia gerada tornando-se um "off-taker" inicial que valida a geração e consome a energia localmente. Esta participação direta é reforçada pelo fato de a Portos-RS ser parceira oficial e membro do consórcio Aura Sul Wind — conta Rodolfo.
Atualmente, a primeira fase do projeto está envolvendo consolidação do consórcio, estudos ambientais e locacionais, integração entre casco e turbina, análises técnicas e econômicas e início do processo de licenciamento. A previsão é que a operação comercial na região inicie daqui há sete anos.
— A Fase 2 está prevista para se iniciar após a conclusão da Fase 1 e do licenciamento e também contará com a preparação e instalação de boia para medições de dados ambientais. A Fase 3, de construção e monitoramento do piloto, que inclui testes, está prevista para iniciar a partir de 2029, com a entrada em operação comercial, a fase quatro, após 2032 — detalha Rodolfo.
Construção 100% nacional e tecnologia japonesa
As plataformas flutuantes serão inteiramente construídas no Brasil. A tecnologia Raijin Float, desenvolvida pela JB Energy, utiliza concreto protendido, o que reduz custos, agiliza o processo construtivo e ativa a cadeia produtiva nacional.
O projeto utilizará uma das turbinas mais potentes do mundo a MySE 18 MW, da Ming Yang Smart Energy. O equipamento tem capacidade até quatro vezes maior que turbinas onshore comuns no Brasil.
Com fator de capacidade estimado em 55%, a turbina deve garantir geração consistente e complementar à energia solar, reduzindo dependências de fontes térmicas fósseis.
Os módulos para as plataformas serão pré-fabricados no Rio Grande do Sul e depois montados no município de Rio Grande. A expectativa é de que a estrutura do Estaleiro Rio Grande seja utilizada para esse processo.
Ainda segundo a empresa, tratativas estão sendo feitas com a prefeitura de Rio Grande e governo estadual. A meta é que a consolidação da indústria eólica offshore possa gerar milhares de postos de trabalho para a região - até o momento, a quantidade ainda não está definida.
Descarbonização
Além de produzir energia sustentável, a operação offshore flutuante deve contribuir para a formação de recifes artificiais, expandindo habitats marinhos. A tecnologia flutuante também evita perturbações intensas no solo marítimo, ao contrário das plataformas fixas.
A longo prazo, o projeto também visa viabilizar um futuro hub de hidrogênio verde na região, descarbonizando setores de difícil eletrificação como transporte de cargas e navegação.

