A startup rio-grandina TerraMares Soluções ambientais aposta na inovação votada ao mar e na aplicação prática dos princípios da Economia Azul para o desenvolvimento de uma economia sustentável.
Economia Azul é um conceito que defende o uso responsável dos recursos marinhos e costeiros para impulsionar o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental.
A empresa nasceu na incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Parque Científico e Tecnológico do Mar, a partir do trabalho de pesquisa dos rio-grandinos Victor Magalhães, Luiza Costa e Tainã Ança.
O foco é o desenvolvimento de bioprodutos com aplicações diversas como suplementos nutricionais, cosméticos, fertilizantes orgânicos e aditivos industriais.
— Como oceanólogo e, na época, estagiário de um laboratório de pesquisas vinculado ao Instituto de Oceanografia, tive contato direto com estudos sobre a biodiversidade aquática brasileira e percebi o potencial que existia ali. A partir dessas experiências, surgiu a ideia de criar uma empresa que levasse essa biotecnologia das bancadas científicas para o mundo real, promovendo um modelo de bioeconomia local, sustentável e 100% nacional — relata Victor Magalhães, CEO da empresa.
Para a produção dos bioprodutos, todo o processo é realizado em um laboratório próprio, também localizado em Rio Grande. Durante as etapas iniciais, os pesquisadores coletam pequenas amostras de água e, com auxílio do microscópio, fazem o isolamento de microrganismos.
Segundo Magalhães, a localização estratégica da cidade permite acesso direto à Lagoa dos Patos, mananciais costeiros e ao Oceano Atlântico, ambientes que abrigam biodiversidade aquática única.
Tecnologia com microalgas

Um dos principais diferenciais da startup está na utilização de microalgas como base tecnológica para soluções que unem eficiência produtiva e responsabilidade ambiental.
As microalgas são empregadas na descarbonização de processos industriais e no tratamento de efluentes, aproveitando sua capacidade natural de absorver nutrientes e gases poluentes, como nitrogênio, fósforo e dióxido de carbono.
Este trabalho começou a ser desenvolvido pelos pesquisadores a partir do período de incubação dentro da universidade:
— Conseguimos consolidar o nosso Banco de Microrganismos da Biodiversidade Brasileira, montar o laboratório próprio e validar nossas cepas de microalgas em escala piloto, transformando o potencial científico em produtos reais. Esse suporte foi o que nos permitiu chegar ao mercado com solidez — afirma.
Atualmente, a TerraMares atua em três frentes: agricultura regenerativa, matérias-primas de alto valor agregado e descarbonização industrial.
Na agricultura, a linha GrowMares reúne blends de microalgas verdes, azuis e vermelhas ricos em compostos bioativos e fitohormônios naturais, que regeneram o solo e reduzem o uso de insumos químicos.
— A biomassa de microalgas é uma plataforma viva de compostos naturais e multifuncionais. A partir dela, produzimos fertilizantes e bioestimulantes biológicos ricos em fitohormônios, minerais, pigmentos e aminoácidos, capazes de regenerar solos, estimular o crescimento vegetal e fortalecer o equilíbrio biológico das lavouras — destaca o CEO da empresa.
Além disso, a biomassa também é utilizada para gerar bioenergia, bioplásticos e insumos industriais, contribuindo para o fechamento do ciclo do carbono e a redução de emissões.
A startup desenvolve fotobiorreatores adaptados às necessidades de cada cliente, capazes de capturar e converter dióxido de carbono em biomassa reaproveitável. Esses sistemas também são aplicados no tratamento biológico de efluentes, eliminando nutrientes e impurezas de forma natural, sem uso de produtos químicos.
— Enquanto muitas soluções utilizam cepas importadas, nós apostamos na força dos nossos ecossistemas, desenvolvendo tecnologias adaptadas às condições tropicais e regionais. Essa biotecnologia de base nacional é o que nos torna singulares — complementa o CEO.
Reconhecimento nacional

A empresa rio-grandina foi destaque no prêmio Pesquisador Gaúcho, na última semana, na categoria Startup Inovadora. Promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), o reconhecimento que reforça o papel da empresa como referência em biotecnologia marinha e soluções sustentáveis.
Com o tema “Ciência para a Reconstrução e Resiliência”, a edição de 2025 do prêmio teve como objetivo estimular a cultura da inovação nas cadeias produtivas e fortalecer a integração entre governo, comunidade científica e setor empresarial.
— Para nós, esses resultados confirmam que o futuro da sustentabilidade e da indústria inteligente nasce nas águas do Brasil — das margens da Lagoa dos Patos ao Rio Negro, no coração da Amazônia — conclui Magalhães.
Em maio de 2025, a empresa também foi premiada na trilha Industry 5.0, ganhando destaque entre mais de dois mil empresas de 80 países, ocupando uma posição entre as dez melhores do mundo na categoria que valoriza a integração entre tecnologias inteligentes e o trabalho humano.


