Entre clássicos da literatura brasileira, obras de filosofia e livros sobre a história do Rio Grande do Sul, diferentes leituras acompanham quem passa pela 51ª Feira do Livro da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
O evento ocorre até quinta-feira (3), no Cidec-Sul, no Campus Carreiros. Pelo segundo ano consecutivo, a feira é realizada dentro do campus da universidade.
GZH esteve no evento para descobrir o que o público está lendo e quais livros os livreiros indicam para quem ainda procura uma obra para levar para casa.
Aos 21 anos, Nilara de Moura Folha está entre os leitores que escolheram um clássico da literatura brasileira. No momento, ela lê Vidas Secas, de Graciliano Ramos, publicado originalmente em 1938.
A recomendação é direta:
— Indico super, muito boa — resume.

De Vidas Secas a O Príncipe
Entre os livreiros, as sugestões passam por obras que atravessaram gerações. Eduardo Santana, que trabalha em um dos sebos presentes na feira, indica O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, como uma opção para quem quer começar a se aproximar da filosofia.
— É uma leitura fantástica. Acrescenta coisas para a sociedade de hoje, mesmo sendo uma leitura do tempo passado. Cada vez que você relê uma frase, ela pode ter um contexto diferente — afirma.
Outra recomendação é A Arte da Guerra, de Sun Tzu. Segundo Eduardo, a obra pode interessar a diferentes públicos por trazer reflexões que podem ser aplicadas até mesmo à vida profissional e pessoal.
Nas bancas, alguns nomes conhecidos da literatura também aparecem entre os mais procurados. Eduardo conta que os leitores têm buscado especialmente livros de José Saramago e Clarice Lispector.
— O Saramago as pessoas procuram bastante. A Clarice Lispector também, com A Hora da Estrela. É um dos romances mais famosos dela e que todo mundo indica para começar a ler — conta Eduardo Santana, responsável pela banca.
Entre as obras de Saramago, Ensaio sobre a Cegueira está entre as mais procuradas pelo público. A demanda, segundo o livreiro, já reduziu o número de exemplares disponíveis no sebo nos primeiros dias da feira.
Livros que viralizam nas redes sociais atraem jovens leitores
Quem trabalha na feira percebe que, nos últimos anos, houve aumento na procura por livros que ganharam espaço nas redes sociais.
Movimentos como o BookTok, comunidade de leitores que compartilha conteúdos sobre literatura no TikTok, ajudaram a transformar determinados títulos em fenômenos entre o público mais jovem.
Segundo o livreiro Luiz Borges, da Martins Livreiro Editora, de Porto Alegre, os estudantes procuram romances como A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, além de títulos como Tudo É Rio, de Carla Madeira.
— Como a feira está muito dirigida a estudantes, eles estão lendo muito esses livros de lançamento, esses livros de moda, esses livros que saíram nas novas edições. Como a feira sempre traz novidade, eles procuram muito o trabalho feito através desses livros que estão na mídia — afirma.
História do Rio Grande do Sul também está entre indicações
Questionado sobre o que está lendo atualmente, Luiz comentou que acompanha obras sobre a Revolução Farroupilha e biografias de personagens que fizeram parte da história do Estado.
Para ele, conhecer essas obras também é uma forma de compreender a formação do povo gaúcho.
— Quem quer conhecer o Rio Grande do Sul, comece e leia a partir da história do Rio Grande do Sul. Ela conta a história do nosso Estado, os costumes, as guerras, a maneira de ser do povo gaúcho e como esse povo foi formado — afirma.
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