
Após cerca de sete meses fechado para obras, o Teatro Municipal do Rio Grande começará a receber novamente o público. As intervenções no antigo Cine Theatro Avenida tiveram início em janeiro deste ano e antecederam a reabertura oficial do espaço, prevista para setembro.
Antes disso, entre os dias 17 e 21 de agosto, o local irá sediar visitas teatralizadas, que visam conduzir o público pela história do teatro e episódios culturais que ocorreram na cidade. A atividade integra a programação da Semana do Patrimônio.
Segundo Raquel Valério, diretora do Teatro, a proposta é transformar o passeio pelo prédio em uma narrativa, conduzida por personagens interpretados por alunos da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos.
— A visita vai acontecer em cinco turnos dentro da programação da Semana do Patrimônio. É importante que o pessoal fique atento aos horários. Não basta vir aqui no turno da visita, tem que agendar, porque ela tem começo, meio e fim. É uma narrativa — explica.
O fio condutor será uma espécie de passeio "fantasmagórico" pela história do teatro. O protagonista será o ator, dramaturgo, escritor e palhaço Coriolano Benício, representado como um fantasma que permanece ligado aos palcos e conduz os visitantes pelos diferentes espaços do prédio.
Conforme a diretora, a escolha parte da tradição, presente no imaginário das artes cênicas, de que teatros seriam habitados por artistas que passaram por seus palcos. A ideia é aproximar esse universo fantástico da memória cultural de Rio Grande.
— A gente sabe que existe essa lenda nos teatros do mundo, de que eles são habitados por fantasmas, porque os artistas gostam de permanecer no seu palco. Queremos levar esse passeio fantasmagórico para a população, principalmente para crianças e jovens, juntando a história e a memória da nossa cidade com a literatura fantástica — salienta.
Ao longo do percurso, Coriolano encontrará outros personagens ligados à cultura rio-grandina. Entre eles estará Heitor de Lemos, que dá nome à Escola de Belas Artes, além de José Luiz Ribeiro, o Zé da Terreira, rio-grandino que fundou o grupo Ói Nóis Aqui Traveiz e o espaço Terreira da Tribo, em Porto Alegre.
A escolha de Coriolano Benício como protagonista também busca apresentar ao público uma figura ainda pouco conhecida da história local. Negro e morador da Vila da Quinta, ele teve atuação como ator, dramaturgo, escritor e palhaço e esteve ligado à criação da Companhia Beira-Mar.
— Rio Grande pouco conhece esse homem negro, morador da Vila da Quinta. Então, ele vai ser o protagonista dessa história, vai conduzir o pessoal por dentro do teatro, mostrando os espaços e encontrando outros fantasmas importantes — conta Raquel.
Espetáculo de pré-estreia
A programação de retomada continua no dia 22 de agosto, quando ocorre a pré-reabertura do Teatro Municipal. O palco recebe o espetáculo paraense Corpos de Tambor, que reúne música, dança e performance inspiradas na cultura popular.
A apresentação integra o Palco Giratório, projeto de circulação e intercâmbio de artes cênicas do Sesc, e terá ingressos gratuitos.
Paralelamente à retomada das atividades, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SMCEC) prepara uma chamada pública para definir parte da programação do Teatro Municipal nos últimos meses do ano.
O edital, previsto para ser lançado ainda em agosto, será voltado a artistas e grupos interessados em ocupar o palco. Os espetáculos selecionados deverão ser apresentados entre outubro e dezembro.
Reconstrução da estrutura

Atualmente, a capacidade total do teatro é de aproximadamente 350 pessoas. Construído em 1929, o teatro recebeu cerca de R$ 1,9 milhão em investimentos para melhorias, que incluíram reforma do palco, reparos no telhado, modernização da rede elétrica e intervenções na acústica, sonorização e estrutura.
Durante os trabalhos, no entanto, foi identificada a necessidade de uma adequação mais ampla na parte elétrica. Essa nova etapa está prevista para 2027.
Até a conclusão do serviço, o Teatro Municipal deverá funcionar com capacidade reduzida. O número máximo de espectadores permitido nesse período ainda não foi definido.
Inaugurado em 3 de maio de 1929 como Cine Theatro Avenida, o prédio é um dos símbolos da história cultural de Rio Grande. Incorporado ao município na década de 1980, foi posteriormente adaptado para se tornar o Teatro Municipal, passando a receber espetáculos e diferentes manifestações artísticas.
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