Os doces vendidos na 32ª Fenadoce passam por uma fiscalização diária para garantir que cheguem ao consumidor dentro dos padrões de qualidade da tradição doceira de Pelotas. Durante os 19 dias da feira, professores e estudantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) percorrem as bancas, analisam amostras e verificam desde o peso e o sabor até as condições de higiene dos produtos. Quando alguma irregularidade é identificada, o doce pode ser retirado de comercialização.
A inspeção é realizada em parceria com a Associação dos Produtores de Doces de Pelotas e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Nos dias úteis, a equipe avalia seis doces por dia, sempre de doceiras diferentes. Aos sábados e domingos, quando o movimento aumenta, são nove amostras diárias.

Nesta edição, o controle de qualidade ganhou, pela primeira vez, um espaço exclusivo dentro da feira, onde parte das avaliações é realizada.
Segundo a professora Márcia Goulart, dos cursos de Química de Alimentos e Tecnologia de Alimentos da UFPel, o trabalho é desenvolvido por 22 estudantes bolsistas, supervisionados por professores da universidade.
— Eles fazem uma conferência nas bancas para verificar conformidades e não conformidades. Observamos, por exemplo, doces caídos, mofados, deformados ou com insetos, além das condições de higiene das atendentes — detalha.
Peso, aparência e sabor são avaliados
Depois da inspeção nas bancas, as amostras seguem para a sala de controle de qualidade, onde passam por diferentes análises.
Os estudantes verificam se os doces atendem ao peso e às dimensões estabelecidas, além de características como cor, aparência, textura, crocância, umidade e sabor.
— Nós pesamos, medimos e fazemos uma avaliação sensorial. Se algum doce estiver fora do padrão, vamos até a doceira e pedimos a retirada daquele produto da banca — comenta.

Entre as irregularidades mais comuns estão alterações de sabor.
— Se identificamos um gosto rançoso ou excesso de baunilha, por exemplo, isso pode indicar que alguma característica está sendo mascarada. Nesses casos, notificamos a doceira — diz.
Também são observadas diferenças de tamanho em relação ao padrão estabelecido e o cumprimento das boas práticas de manipulação, como o uso correto de toucas e a ausência de anéis, adornos e unhas inadequadas pelas atendentes.
QR Code permite consultar informações
Outra etapa da fiscalização envolve a conferência do selo de indicação de procedência presente em cada doce certificado.
Por meio do QR Code impresso na embalagem, o consumidor pode acessar informações como ingredientes, validade e identificação do produtor.
— Qualquer consumidor consegue visualizar essas informações apontando o celular para o selo. Esse também é um dos controles que verificamos durante a feira — explica.
Análises continuam nos laboratórios
Parte das amostras recolhidas também é encaminhada aos laboratórios da UFPel, onde passa por análises complementares, incluindo testes microbiológicos.
A parceria entre a universidade, a Associação dos Produtores de Doces de Pelotas e a CDL existe há cerca de 12 anos e busca preservar o padrão de qualidade da produção doceira certificada.
Segundo Márcia, além da fiscalização, o trabalho também tem caráter educativo.
— Realizamos treinamentos periódicos com as doceiras e as equipes de atendimento. O objetivo é manter o padrão de qualidade e orientar sempre que identificamos alguma inconformidade — resume.
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