
Às 19h33min desta terça-feira (7), as portas do Theatro Sete de Abril voltaram a se abrir. O gesto simbólico encerrou uma espera de 16 anos, três meses e 22 dias e devolveu aos pelotenses o teatro mais antigo do Rio Grande do Sul — fechado desde 15 março de 2010 por problemas estruturais.
A reabertura ocorreu no aniversário de 214 anos de Pelotas e reuniu autoridades, artistas, trabalhadores que participaram das obras e moradores que acompanharam por mais de uma década e meia a expectativa pela retomada das atividades.
Quem entrou no prédio encontrou um teatro completamente restaurado, mas ainda com detalhes a serem concluídos.
Alguns camarotes permanecem com acabamentos pendentes, parte da iluminação dos banheiros apresentou falhas durante a cerimônia e sistemas como climatização, iluminação cênica, sonorização definitiva e parte da infraestrutura elétrica ainda serão implantados.
Nesta primeira etapa, o espaço volta a funcionar com 475 lugares na plateia, mais três andares de camarotes.
Homenagens marcaram a cerimônia

A solenidade prestou homenagem aos trabalhadores que participaram da recuperação do prédio histórico ao longo dos últimos anos.
Entre os mais aplaudidos estava Claudio Nolasco, que trabalha há 47 anos como porteiro do Sete de Abril e acompanhou diferentes fases da história do teatro.
— Sentimento de muita alegria de ver o nosso teatro reaberto hoje — disse.
Uma vida dedicada ao Sete
A emoção também tomou conta da coreógrafa Diclea Ferreira de Souza, de 92 anos, uma das primeiras pessoas a entrar no teatro após a reabertura. Ela se apresenta no Sete de Abril desde 1958 e acompanhou boa parte da história artística do espaço.
Depois de esperar mais de 16 anos pelo reencontro com o palco, não escondeu a emoção:
— Esperei muito tempo por esse momento e fico muito feliz de ver o teatro reaberto. Isso é bom para todo mundo, para a arte, para a cultura. Está tudo lindo, essas cortinas, esse palco. Estou muito emocionada.
A primeira geração a conhecer o Sete aberto
Enquanto Diclea revivia lembranças de quase sete décadas de apresentações, o ator mirim Theo Ferreira, de 9 anos, vivia a experiência oposta. Ele ainda não havia nascido quando o Theatro Sete de Abril fechou as portas, em março de 2010.
Acompanhado dos pais, fez questão de prestigiar a reabertura e conhecer pela primeira vez o principal palco cultural de Pelotas em funcionamento.
— Tô muito feliz e espero vir aqui sempre que puder — afirmou Theo.
A presença de Theo simbolizou uma nova geração que cresceu sem poder frequentar o teatro e que, a partir desta terça-feira, passa a incorporá-lo à vida cultural da cidade.
A decisão de reabrir

Em entrevista a GZH, a secretária municipal de Cultura, Carmen Vera Roig, revelou que a decisão de reabrir o teatro foi tomada em março deste ano, quando o prefeito Fernando Marroni propôs que o espaço fosse entregue à população com a estrutura mínima necessária para funcionamento, enquanto as demais etapas fossem concluídas gradualmente.
A partir daquela definição, segundo ela, diferentes secretarias passaram a atuar em conjunto para acelerar os serviços considerados essenciais:
— A partir desse momento, iniciamos uma força-tarefa.
Segundo Carmen, o apoio de outras áreas da administração e da iniciativa privada foi decisivo para cumprir o cronograma estabelecido para o aniversário da cidade.
— Todos os empresários, políticos e pessoas apaixonadas pela cultura foram fundamentais nesse processo — destacou.
Próximo desafio será manter o teatro funcionando

Com a reabertura concluída, a prioridade agora passa a ser consolidar o funcionamento permanente do espaço.
Até o dia 18 de julho, o teatro receberá apresentações gratuitas diariamente. Depois, a programação seguirá com espetáculos já confirmados, além do retorno de projetos culturais tradicionais, como o 277, o Sete em Cena e o Conversando a Gente se Entende, além de um edital de ocupação destinado a artistas locais.
A procura por datas já começou.
Ao mesmo tempo, a prefeitura busca recursos para concluir a climatização, instalar equipamentos definitivos de som e iluminação e finalizar acabamentos internos.
— Optamos por abrir o teatro e realizar os ajustes necessários de forma gradual — diz a secretária.
Para Carmen, a principal missão daqui para frente é evitar que o Sete de Abril volte a enfrentar longos períodos fechado.
— Precisamos romper o ciclo de abrir e fechar o teatro — pondera.
Vitor Ramil marcou o reencontro com o palco
O momento mais aguardado da noite começou às 21h20min, quando o cantor e compositor pelotense Vitor Ramil subiu ao palco para o primeiro espetáculo realizado no teatro desde a interdição.
Antes de iniciar o show, ele destacou o significado simbólico daquele reencontro:
— Esse teatro é uma marca da cultura. Fala da resistência. Vou tocar por mim e por todas as pessoas que já tocaram neste teatro.
A primeira música interpretada foi Satolep Fields Forever. Depois, vieram outros sucessos da carreira, entre eles Estrela, em uma apresentação que emocionou o público.
Depois de quase 6 mil dias de silêncio, o palco do Sete de Abril voltou a cumprir a função para a qual foi criado há quase dois séculos: emocionar o público e fazer a cultura pulsar em Pelotas.



