
Poucos artistas têm uma relação tão longa com o Theatro Sete de Abril quanto Vitor Ramil. Antes mesmo de iniciar a carreira, o cantor e compositor pelotense já frequentava o espaço como espectador. Décadas depois, subiu ao palco em diferentes momentos da história do teatro, participou da reabertura de 2001, realizou um dos últimos shows antes da interdição e, agora, será o responsável por marcar o retorno do público ao prédio histórico após 16 anos de fechamento.
O espetáculo ocorre na próxima terça-feira (7), data em que Pelotas celebra 214 anos, e simboliza a devolução à cidade daquele que é o teatro mais antigo em funcionamento do Rio Grande do Sul, inaugurado em 1833 e fechado desde 2010 devido ao risco de desabamento do telhado.
— Eu não saberia dizer qual é a primeira memória. Desde criança eu ia ao Sete de Abril para assistir às coisas e, depois, comecei a tocar lá, primeiro eventualmente e, mais tarde, já como profissional. Para mim, o Sete de Abril é uma Pelotas de toda a vida — afirma.
Um palco presente em diferentes fases da carreira
A ligação de Vitor Ramil com o teatro acompanha praticamente toda a sua trajetória artística.
Em abril de 2001, ele participou da cerimônia que marcou a reabertura do prédio após outra etapa de restauração, ao lado do pianista Gabriel Victora. Em 2008, fez um dos últimos espetáculos antes da nova interdição.
— Eu me sinto muito próximo desses momentos de vida, sobrevida e resistência do teatro. Estou muito feliz por ter sido convidado — afirma.
Mesmo fechado ao público, o Sete de Abril continuou presente em sua trajetória.
Em 2021, em plena pandemia e com o prédio ainda em obras, o artista gravou no palco o álbum ao vivo Avenida Angélica, dedicado a poemas da escritora pelotense Angélica Freitas. O disco foi lançado em 2022 diante de um auditório vazio.
— Foi um trabalho meu voltado totalmente à poesia de uma conterrânea. Tinha muito significado para mim e espero que também tenha tido para a cidade — conta.
“É um símbolo de resistência”

Na obra de Vitor Ramil, a cidade aparece reinventada sob o nome de Satolep. Para ele, o Sete de Abril sintetiza parte dessa identidade construída ao longo do tempo.
O cantor destaca a acústica do teatro e a proximidade entre artistas e plateia, mas afirma que o significado do prédio vai além da arquitetura.
— É um símbolo de resistência de uma cidade que, no auge econômico, construiu um patrimônio arquitetônico e cultural maravilhoso, mas que foi sendo destruído. O Theatro Sete de Abril concentra cultura, beleza e magia, porque o teatro leva as pessoas para outro lugar. Talvez, se a elite original tivesse percebido a força daquele patrimônio para o imaginário e também para a economia, a cidade tivesse sido mais preservada — diz.
Um reencontro em família
O espetáculo também terá um significado especial para a família Ramil.
No palco, Vitor será acompanhado pelo filho Ian Ramil, vencedor do Grammy Latino. A filha Isabel Ramil assina a direção de vídeo e a iluminação da apresentação.
— Trabalhar com eles me dá muita alegria. Isso remete à nossa família inteira, que sempre esteve muito ligada ao Sete de Abril, não apenas pela música — menciona.
O artista lamenta apenas a ausência da mãe, Dalva Ramil, que morreu em 2024.
— Muito do que fazemos é responsabilidade dela. Foi quem nos colocou para tocar, compor e criar. Ela sempre acompanhava tudo e teria adorado viver esse momento de volta do Sete de Abril — afirma.

Repertório vai reunir clássicos e homenagens
Com mais de quatro décadas de carreira e 13 discos lançados, Vitor diz que montar o repertório foi um dos maiores desafios.
Clássicos como Joquim e Estrela, estrela estarão presentes, mas o artista pretende incluir canções que dialogam diretamente com a cidade.
— Quero tocar alguma coisa que remeta ao Avenida Angélica e também ao Campos Neutrais, disco cuja concepção visual e artística está muito relacionada com Pelotas.
Novos discos e livro a caminho
Além da apresentação, Vitor trabalha na finalização do registro do espetáculo realizado com os irmãos Kleiton & Kledir em Porto Alegre, previsto para ser lançado em agosto.
Também prepara um novo álbum de inéditas, com gravações previstas para o fim deste ano e lançamento em 2027.
Para o mesmo período, planeja publicar um novo livro aprofundando as reflexões sobre a estética do frio, conceito desenvolvido por ele desde a década de 1990.
— É uma ideia que eu queria desenvolver havia muito tempo. Precisava deixar o tempo passar e acumular mais vivências para levá-la adiante — comenta.
Serviço
O quê: Vitor Ramil na reabertura do Theatro Sete de Abril
Quando: Terça-feira, 7 de julho
Ingressos: serão distribuídos gratuitamente a partir das 11h de segunda-feira (6), no teatro, com limite de dois ingressos por pessoa
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




