
O longa-metragem Espiral, dirigido e roteirizado pelo cineasta pelotense Leonardo Peixoto, está na disputa do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2026, principal premiação da indústria audiovisual nacional. O filme concorre na categoria Primeira Direção, voltada a cineastas estreantes em longas-metragens.
Lançado nos cinemas brasileiros em outubro de 2025, o drama acompanha uma família de ligada à indústria calçadista de Novo Hamburgo em diferentes épocas, abordando os impactos das transformações econômicas e sociais sobre esse núcleo.
Atualmente, Leonardo concorre a uma vaga na fase final da premiação promovida pela Academia Brasileira de Cinema. Nesta etapa de avaliação, os membros da academia escolhem os cinco indicados finais de cada categoria. Os vencedores serão anunciados em agosto.
— Passar para essa final seria um grande reconhecimento para o filme. A expectativa é essa e que a gente consiga levar o nome do Estado, da cidade em que gravamos o filme, Novo Hamburgo, e da cidade que a gente veio, Pelotas. Queremos fomentar nosso mercado — afirma o diretor.
Para participar da disputa, o longa precisou cumprir um período mínimo de exibição comercial nos cinemas.
Das salas da UFPel para o cinema nacional
Natural de Pelotas, Leonardo se mudou ainda criança para Novo Hamburgo, aos 11 anos, mas manteve uma relação próxima com o município.
— Pelotas sempre foi um lugar criativo para mim, quase lúdico, porque foi a minha infância, depois a faculdade que eu sonhava — relata.
Foi justamente em Pelotas que surgiu a ideia inicial de Espiral. Leonardo integrou a primeira turma do curso de Cinema da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A ideia inicial do longa nasceu em 2010, durante o desenvolvimento de uma cena criada para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
— Essa história do filme está comigo há muito tempo, pelo menos o centro dela. A ideia inicial, que veio lá da faculdade, era falar sobre relações familiares, que muitas vezes se repetem, mas sempre com uma camada a mais — explica.
Embora seja seu primeiro trabalho como diretor e roteirista de longa-metragem, Leonardo já atuou em mais de 25 projetos audiovisuais ao longo da carreira.
Drama familiar atravessa décadas
A trama de Espiral retrata o fim de um ciclo familiar marcado pela tradição da indústria do couro e do calçado. O roteiro acompanha diferentes gerações de uma família ligada ao setor calçadista de Novo Hamburgo nos anos de 1982, 1994, 2000 e 2022.
Apesar do contexto industrial, o diretor optou por não retratar o ambiente das fábricas. O foco está nos reflexos das mudanças econômicas globais dentro das relações familiares.
— A ideia é falar muito sobre relações familiares que muitas vezes se repetem em diferentes gerações, mas sempre com uma camada a mais. Acompanhamos uma família que vai sofrendo o impacto desse mercado, da globalização, do mundo atropelando dentro de casa — conta.
O filme começa em 1982, com empresários locais negociando exportações por telefone. A narrativa avança até 2022 e alterna diferentes períodos históricos durante uma confraternização familiar.
Produção levou cinco anos
A produção foi viabilizada por meio da Lei Aldir Blanc, em parceria com a prefeitura de Novo Hamburgo, a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o Fundo Setorial do Audiovisual e a Lei Paulo Gustavo.
— Tivemos essa sorte de financiar logo no primeiro edital — afirma o diretor.
Selecionado em edital público em 2020, o longa levou cerca de cinco anos para ser concluído. Mais de 80 profissionais participaram da produção até a estreia nos cinemas, em 2025.
— Cinema é a mais coletiva das artes. A gente não consegue fazer um filme sozinho, então estou muito grato aos meus coprodutores, ao edital e a toda a equipe — conclui Leonardo.
Confira o trailer do longa:
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