
Entre 28 de agosto e 3 de setembro, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) realizará a 51ª Feira do Livro, no Campus Carreiros, em Rio Grande. Pelo segundo ano consecutivo, o evento ocorrerá dentro da universidade, repetindo o formato adotado em 2025. Nesta edição, a patrona será a escritora, professora e tradutora Joselma Noal.
Com o tema “Caia nessa Rede”, a feira foi inspirada na trajetória literária da autora e em sua obra mais recente, Enredar-se, lançada em 2025. A proposta da organização é promover reflexões sobre vínculos, memória, afetos e conexões construídas por meio da literatura.
A escolha da patrona foi anunciada oficialmente na última semana. Professora da Furg desde 2010, Joselma é doutora em Letras, coordenadora dos coletivos Mulheres de Escrita e Escritores de Quinta, além de autora de livros de contos, minicontos, romances, crônicas e poesias.
— Foi realmente inesperado. Me chamaram para uma reunião para organizar a feira e eu fui tranquila, achando que seria só para trocar ideias. Eles me enganaram direitinho. Foi uma grande surpresa e muito especial — contou.
A escritora afirma manter uma relação afetiva com a Feira do Livro da Furg há mais de uma década. Segundo ela, praticamente todos os seus livros foram lançados ou autografados no evento.
— Tenho um carinho muito especial pela feira. É um evento muito acolhedor e que tem um diferencial importante: o espaço para os autografantes falarem sobre suas obras antes das sessões de autógrafos. Isso aproxima o público dos escritores — destaca.
O tema da edição deste ano também dialoga diretamente com o universo presente em Enredar-se, primeiro livro de poesias da autora.
— O livro fala muito sobre redes de afeto, memória, mar e lagoa. Tem tudo a ver com Rio Grande. Imagino uma feira cheia dessas conexões humanas e afetivas — afirma.
Feira consolidada dentro da universidade
A edição de 2026 marca a consolidação da transferência da feira para dentro da universidade. O evento foi levado ao Campus Carreiros no ano passado, inicialmente por questões orçamentárias, após décadas sendo realizado no Balneário Cassino.
Segundo a pró-reitora de Extensão e Cultura, Débora Medeiros do Amaral, a mudança ampliou a aproximação da comunidade com a instituição.
— A feira no campus é um convite a uma compreensão de uma universidade que é das pessoas. Vimos famílias inteiras circulando pela instituição, pessoas que nunca tinham visitado a Furg encantadas com o espaço — afirma.
De acordo com a universidade, a alteração reduziu em cerca de 80% os custos do evento e trouxe ganhos em estrutura, segurança e organização. Em 2025, aproximadamente 21 mil pessoas passaram pela feira. Para este ano, a expectativa é manter ou superar o público registrado na edição anterior.
A organização também pretende ampliar o número de bancas de livros. No ano passado, participaram 12 expositores.
Ao comentar a permanência da feira no campus, Joselma afirma ter mudado de opinião após acompanhar a edição passada.
— Eu sou apaixonada pelo Cassino e fiquei preocupada quando a feira saiu da praça. Mas funcionou muito bem dentro da Furg. A comunidade esteve presente, os livreiros gostaram, a estrutura é muito melhor. Hoje só tenho aplausos para essa mudança — diz.
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