
Construída no município de Bagé, na Campanha, em 2012, como cenário para o filme O Tempo e o Vento, inspirado na obra do autor Érico Verissimo, a Cidade de Santa Fé pode passar por uma reconstrução completa.
Atualmente, o local, erguido em um terreno público, possui 17 edificações e é administrado pela Associação Centro Cultural e Turístico Cidade de Santa Fé. O espaço apresenta deterioração em razão da qualidade das construções originais, feitas de tapumes e madeira compensada.
O principal objetivo do projeto é substituir as antigas estruturas cenográficas por edificações definitivas em concreto armado e alvenaria, mantendo as características visuais semelhantes ao cenário do filme.
Em agosto de 2025, a prefeitura de Bagé solicitou a reformulação da associação, com a assinatura de um convênio. O Executivo realiza um repasse mensal de R$ 50 mil. Parte desse valor é utilizada para a estruturação do projeto e o restante é destinado à revitalização do Parque do Gaúcho, área onde Santa Fé foi construída.
Antes do início das obras definitivas, a associação concentra esforços em garantir a segurança da área. Por isso, o projeto já iniciou pelo cercamento total do terreno e pela instalação de um sistema de monitoramento. A construção de uma guarita também começou.

Além da segurança, equipes técnicas realizam levantamentos topográficos e análises estruturais. Conforme a engenheira responsável pelo projeto, Aliane Da Croce, algumas estruturas poderão ser aproveitadas, enquanto outras deverão ser demolidas por problemas técnicos.
Espaço que serviu de cenário para o filme inspirado na obra de Érico Verissimo deve trocar estruturas temporárias de madeira por prédios definitivos de alvenaria.
— Eu vejo, como responsável técnica e como profissional da área, um cenário muito favorável nesse momento. A associação está mobilizada a fazer com que a cidade aconteça — afirma a engenheira.
A proposta futura é de que os prédios tenham diferentes funções culturais e turísticas, incluindo um museu do filme, espaços para eventos e áreas de comercialização de produtos regionais. A intenção da associação é abrir partes do complexo para visitação gradualmente, mesmo antes da conclusão total das 17 edificações.
— Nós vamos fazer todo um esforço para que as coisas aconteçam agora. Devagarinho vamos reconstruir a Santa Fé. Aí, claro, que para as construções maiores, a gente vai buscar editais, leis de incentivo e assim por diante — afirma a presidente da Associação, Clori Peruzzo.
Embora exista o apoio financeiro municipal para a manutenção do espaço, a associação ainda busca verbas para viabilizar as obras definitivas. A estratégia inclui a elaboração de projetos voltados à captação por meio de leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, além de editais e patrocínios privados.
Sobrado Cambará
Um dos principais impasses atuais envolve o chamado "Sobrado Cambará". A obra foi iniciada anteriormente com recursos de emenda parlamentar, mas está paralisada. É a única das edificações que já recebeu intervenções estruturais recentes.
Segundo a secretária de Planejamento do município, Julia Reschke, a prefeitura tentou retomar os trabalhos, mas a licitação restou deserta.
— Trabalhamos nas obras prioritárias e em que os recursos tinham prazos. Assim que deu, atualizamos o projeto e o orçamento para relicitar. Publicamos a licitação do remanescente da obra, porém deu deserto. Agora está prestes a ser republicada, novamente — afirma a secretária.
Ela confirma que o novo edital deve ser publicado nos próximos dias.
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