Localizado na região central de São José do Norte, no sul do Estado, o Museu de Combate Farroupilha de 16 de Julho de 1840 foi fundado em 2002 com o objetivo de preservar a memória gaúcha e valorizar a história do município.
A iniciativa surgiu a partir do trabalho do historiador Fernando Costamilan, que começou a reunir peças históricas encontradas em galpões do interior nortense e ampliou o acervo a partir de influências de colecionadores locais.
— O museu surgiu a partir de uma busca por materiais que estavam em galpões aqui do interior. Tive influência de pessoas que já guardavam peças históricas, e isso me motivou a começar a reunir esse acervo — relata.
Costamilan afirma que o interesse pela preservação das peças veio das pesquisas sobre a importância estratégica de São José do Norte em diferentes momentos históricos, desde o povoamento inicial e as disputas entre as coroas de Portugal e Espanha até a Revolução Farroupilha.
— Quando comecei a pesquisar a história, vi que São José do Norte foi fundamental em vários períodos. Isso reforçou a importância de preservar essa memória — afirma.

Atualmente quem procura o museu com mais frequência são estudantes de história, principalmente da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), e escolas municipais e estaduais que aproveitam a estrutura para realizar atividades itinerantes com estudantes dos ensinos fundamental e médio. Cerca de 2 mil pessoas visitam a instituição por ano.
Acervo reúne peças raras e documentos históricos
O museu abriga aproximadamente 500 peças, um conjunto significativo de itens ligados à história do Rio Grande do Sul, especialmente à Revolução Farroupilha. Entre os artigos, estão documentos originais assinados por figuras históricas como Bento Gonçalves, além de objetos utilizados em períodos de conflito.
— Temos cartas originais assinadas por lideranças da época, além de peças históricas que ajudam a contar não só a Revolução Farroupilha, mas também a formação do município — destaca Costamilan.
O acervo inclui ainda objetos de uso cotidiano e militar, como canhões, carretas de boi, armas e itens relacionados a antigas atividades culturais, como equipamentos de cinema. Apesar da relevância histórica, parte desse material ainda não está exposta por falta de espaço adequado.
"Buscamos um espaço definitivo para fazer um projeto museológico adequado"
Atualmente, o museu funciona por meio de um convênio com a Prefeitura de São José do Norte, que cede um espaço provisório para manutenção das atividades.
Apesar da localização estratégica para o acesso dos turistas, próxima a hidroviária e a balsa, o local é considerado insuficiente para abrigar todo o acervo e organizar exposições de forma adequada.
Conforme Costamilan, atualmente, a principal demanda é pela obtenção definitiva do antigo prédio da Câmara de Vereadores, já desocupado após a transferência do Legislativo para uma nova sede.
A expectativa é que o imóvel seja destinado ao museu, permitindo a elaboração de um projeto museológico estruturado, com áreas específicas para exposições permanentes e temporárias, além da ampliação do atendimento ao público.
— Enquanto a gente não tiver esse espaço, não conseguimos fazer um projeto museológico adequado. Hoje, muitas peças acabam ficando misturadas ou fora de exposição por falta de espaço. Nós temos praticamente o dobro do material que está exposto — afirma.
Segundo ele, o novo espaço também permitirá integrar outras iniciativas culturais, como o Centro Cultural Açoriano, em parceria com instituições do Rio Grande do Sul e dos Açores, reforçando a identidade histórica da região.
— A ideia é concentrar tudo em um único espaço, logo na chegada da cidade, valorizando a história local e facilitando o acesso da população e dos visitantes — destaca.
O museu fica localizado na rua Almirante Tamandaré, nº77/1, no centro de São José do Norte.
O local de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min. As visitas aos finais de semana poderão ser agendadas pelo telefone (53) 3238-1502.
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