
Familiares do líder farroupilha Bento Gonçalves cobram a revitalização do monumento‑túmulo localizado na Praça Tamandaré, em Rio Grande, e alertam que podem solicitar a retirada dos restos mortais caso não haja avanços por parte do poder público. A mobilização reúne descendentes do general, entidades tradicionalistas e representantes do Museu do Combate de 16 de julho de 1840, de São José do Norte.
— A família está muito desgostosa com a prefeitura de Rio Grande pelo descaso quase agressivo com que o túmulo‑monumento tem sido cuidado. Já comunicamos esse descaso e fizemos uma lista de pedidos há mais de 10 anos, mas nada foi feito — afirma Raul Justino Ribeiro Moreira, tataraneto de Bento Gonçalves e presidente da associação de familiares do líder farroupilha.
Os restos mortais de Bento Gonçalves foram transferidos para Rio Grande após sua morte, em 1847, como forma de homenageá‑lo em um dos principais cenários da Revolução Farroupilha. Durante o conflito, o município teve papel estratégico ao abrigar o governo imperial, tornando‑se ponto central da disputa entre legalistas e farroupilhas.
À época, a transferência foi autorizada por Joaquim Gonçalves da Silva, filho do general. Inicialmente sepultado em Pedras Brancas — atual município do Cristal — Bento Gonçalves passou a descansar em Rio Grande como símbolo do período histórico vivido pela cidade.
Conservação é alvo de críticas
Apesar da importância histórica, o estado de conservação do monumento tem sido alvo de críticas recorrentes. Atualmente, o túmulo‑monumento apresenta danos nos letreiros de cobre, além de pichações, o que, segundo os familiares, compromete o valor histórico e turístico do espaço.
— Temos cidades que teriam honra em abrigar o líder farroupilha, o que não parece mais ser o caso de Rio Grande — afirma Raul Justino Ribeiro Moreira.
Mobilização por restauro e valorização
A mobilização conta com apoio do Museu do Combate de 16 de julho de 1840. Segundo o fundador da instituição, Fernando Costamilan, o diálogo com a família começou em 2016, quando passou a atuar como articulador das ações de preservação do monumento.
— Naquele ano, solicitamos a recriação da comissão do túmulo para viabilizar a revitalização em conjunto com o poder público. A comissão chegou a ser criada por decreto, mas houve apenas uma reunião e o processo não teve continuidade — relata.
Além do restauro estrutural, o grupo defende ações de valorização histórica e turística. Entre as propostas estão a instalação de uma pira votiva com chama permanente, melhorias na sinalização, projetos de educação patrimonial e criação do projeto “Guardião de Bento Gonçalves”, que envolveria escolas, entidades tradicionalistas e instituições culturais.
— Não é pedir demais. É um trabalho que está acima de partidos políticos, buscando desenvolvimento por meio da cultura e do turismo — destaca Costamilan.
Outra sugestão apresentada pelo grupo é a reorganização do espaço urbano, com a criação do Largo General Bento Gonçalves, separando a área do restante da praça.
— Não pode ficar dentro de uma praça com outro nome. O ideal é criar um espaço próprio, como forma de dar o devido reconhecimento ao líder farroupilha — afirma Raul Justino.
O que diz a prefeitura
A secretária de Cultura de Rio Grande, Rita Rache, afirmou que a demanda vem sendo acompanhada pela pasta desde o ano passado e que há articulações em andamento.
— Nós nos reunimos com o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul para pensar não só esse, mas os monumentos de forma geral, que há décadas enfrentam problemas de conservação e segurança. Retomamos esse diálogo e acertamos uma reunião para esta semana, justamente para reeditar a comissão com participação do poder público e da sociedade civil — afirma.
Segundo Rita, a proposta é estruturar um projeto para captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura.
— A ideia é discutir os encaminhamentos e, entre eles, a elaboração de um projeto para buscar recursos destinados ao restauro e a outras intervenções necessárias — conclui.
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