
O documentário O Mundo Cabe em um Fusca, produzido pelos jornalistas pelotenses Nauro Junior e Gabriela Mazza, será exibido gratuitamente nesta segunda-feira (20), no restaurante Nave, em Pelotas. A exibição ocorre às 18h30min, dentro da programação do projeto Cine Nave.
O longa-metragem é baseado no livro A Vida Cabe em um Fusca, ambos publicados pela Satolep Press. As obras são um compilado de cerca de 10 anos de viagens, nas quais Nauro percorreu 17 países em um Volkswagen 1968 — o famoso Fusca — acompanhado de diferentes parceiros.
O filme foi exibido pela primeira vez em agosto de 2025, com duas sessões lotadas para mais de 400 pessoas cada. Em Pelotas, outras duas sessões foram realizadas este ano, também de forma gratuita. Além disso, o longa já teve exibições em Brasília.
A sessão desta segunda-feira marca a primeira edição do Cine Nave em um novo formato. O projeto já é realizado desde a pandemia, mas com formatos e nomes diferentes.

Produção levou 12 anos
O projeto teve início em 2013, com uma travessia entre os Molhes da Praia do Cassino e os Molhes da Barra do Chuí, no Extremo Sul. Depois disso, foram 12 anos de produção — sendo 10 anos de filmagens e dois de edição.
— Desde aquele momento eu sabia qual era a pauta que eu queria para o meu documentário. Inspirar as pessoas através da simplicidade do desafio do impossível e mostrar que a felicidade está nas coisas que a gente já tem — afirma Nauro.
Ele conta que o objetivo das viagens era conhecer pessoas pelo caminho que tivessem filosofias de vida parecidas com as dele.
— A gente entrevista no caminho desde um andarilho até o presidente do Uruguai. De uma pessoa no interior de Pelotas até um russo — relata.
O material compilado em mais de uma década de jornada somava mais de 500 horas de imagens captadas com diferentes equipamentos. O resultado final é um filme de uma hora e 50 minutos. Para Nauro, selecionar as cenas foi uma tarefa difícil.
— No primeiro momento tu te pergunta: "Puxa vida, foram 12 anos e só uma hora e 50 minutos. Será que não rendia mais? Não rendia uma série?". Mas eu acho que está ali a emoção do que a gente viveu — avalia.
Nauro destaca o percurso pelo deserto de sal Salar de Uyuni, na Bolívia — onde, segundo ele, foi registrada a imagem mais bonita do documentário —, a chegada ao Kremlin, na Rússia, e o encontro com o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica como os momentos mais marcantes.
— Quando a gente chega com o Fusca na frente do Kremlin e olha pelo para-brisa do carro, que saiu do bairro Areal Fundos, tu diz: "Cara, o mundo é muito pequeno" — recorda o jornalista.
Futuro da obra
Segundo a produtora Gabriela Mazza, a equipe busca contato para outras exibições. Estão no radar a Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e a Intendência de Montevidéu, no Uruguai.
De acordo com Nauro, negociações com uma plataforma de streaming também estão sendo realizadas. O objetivo é alcançar o maior número de pessoas possível.
— Eu quero um filme que inspire, eu quero um filme que as pessoas saiam do cinema e que deem rizada ou que chorem. Esse era o meu objetivo com o filme — conclui o jornalista.
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