
Quem caminha pelas ruas de Pelotas e ouve o som encorpado de um trombone, raramente precisa procurar o músico para saber de quem se trata. Para a comunidade, o instrumento é quase uma extensão do corpo de José Cícero Vieira Caipu, o homem que o Carnaval apelidou de Mapa.
O apelido, herdado na juventude, veio da fama de conhecer todos os caminhos, bairros e pessoas da cidade.
Hoje, "Mapa" não apenas conhece os caminhos, mas orienta o passo de centenas de foliões que celebram, em 2026, os dez anos do Centro Cultural Recreativo Esportivo Bloco do Mapa.
O homem por trás do metal

A história de Caipu com a música começou cedo, mas foi no trombone que ele encontrou sua voz. No Carnaval, o músico descobriu que a rua é o verdadeiro palco do povo, um lugar onde o som se transforma em encontro.
— Quando o trombone toca na avenida, ele carrega memória, alegria e identidade — resume o instrumentista, que define sua relação com a festa de forma visceral.
— Eu não escolhi o Carnaval, o Carnaval me escolheu — conta.

O Bloco do Mapa, fundado em 7 de fevereiro de 2016 ao lado da cientista social Jacqueline Santos, surgiu por uma percepção de responsabilidade coletiva.
As pessoas já associavam o som do trombone à figura de Caipu, e ele decidiu transformar essa força em um espaço seguro e democrático para as famílias pelotenses.
Para Mapa, o Carnaval é "cultura viva" e um potente "instrumento de transformação". Esse pensamento se reflete na atuação do seu Centro Cultural, que mantém o fôlego durante os doze meses do ano ao promover oficinas culturais e ações comunitárias focadas no fortalecimento de vínculos nos bairros.

O projeto também prioriza o incentivo à participação juvenil e o apoio a diversas manifestações culturais, além de promover debates essenciais sobre identidade e direitos.
O legado de um sopro
Ao completar uma década de desfiles, Mapa se emociona com o que chama de "legado". Para ele, ver crianças que cresceram acompanhando o bloco e hoje desfilam é a prova de que a luta valeu a pena.
Com o tema "Parabéns a vocês", o desfile deste domingo, 15 de fevereiro, será uma homenagem direta à comunidade que ajudou a construir a história do bloco.
Agenda cheia
Para o Mapa do Trombone, o mês de fevereiro é um período de entrega absoluta, onde o fôlego precisa dar conta de uma agenda intensamente carregada.
— Fevereiro é intenso. É ensaio, organização, reuniões, ajustes, responsabilidade — descreve o músico, revelando que a rotina de preparativos consome o descanso, com "pouco sono e muita emoção".
No entanto, ele reforça que o cansaço acumulado se dissolve assim que o instrumento encontra a multidão.
— Mas quando o bloco entra na rua e o povo acompanha, todo esforço vale a pena — afirma
Desfile
Bloco do Mapa: Domingo (15), às 12h, na rua XV de Novembro, centro.
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