
A tarde desta quarta-feira (11) começou ao som de marchinhas tradicionais no Asilo de Mendigos de Pelotas, transformando o calor intenso em combustível para o "Carnamatu". O evento, promovido pelo projeto Orquestrando Sonhos, resultou em um encontro singular: músicos da terceira idade tocando para quem vive na instituição.
Para o maestro João Marcos "Negrinho" Martins, a apresentação vai além do entretenimento, serve como uma ferramenta de saúde e inclusão social.

— É uma troca de energia incrível. Organizamos um repertório carnavalesco maior para contar com a alegria desses "jovens há mais tempo". Muitos estariam em casa sem ter o que fazer, às vezes até com depressão, e esse encontro é um motivo de alegria para todos nós — destaca Negrinho.
Música como conexão
O projeto Orquestrando Sonhos nasceu em 2022 e, desde então, tem expandido sua atuação. Segundo a produtora cultural Adriana Noronha, o grupo da maturidade — carinhosamente apelidado de "Matu" — conta hoje com cerca de 70 integrantes, dos quais 40 compareceram ao baile.
— Imagine idosos tocando para idosos. Isso transforma a vida deles, que se sentem com uma função social. A música resgata memórias afetivas; vemos pessoas com Alzheimer cantando. A vida não estanca na velhice, ela apenas muda de cor — define Adriana.

A iniciativa também atende crianças e atua em comunidades periféricas de Pelotas, como a Colônia Z3 e a região do Dunas, utilizando instrumentos de cordas friccionadas e percussão, como o sopapo.
O brilho no olhar de quem assiste

Entre os mais de cem residentes da casa, o clima era de contemplação e nostalgia. Mesmo quem prefere o silêncio da rotina não ficou indiferente ao movimento.
Leda Maria Lemos, de 88 anos, recordou os tempos em que acompanhava o Carnaval na Rua 15 acompanhada pelo pai. Para ela, ver a orquestra é um fôlego novo.
— Significa uma coisa diferente e boa. Dá uma energizada na gente — resume.
O sentimento é partilhado por Dina Pinheiro, de 78 anos. Apesar de se definir como alguém que "escuta mais do que fala", ela fez questão de acompanhar a apresentação.
— Assistir é muito bom. É um movimento diferente e aqui todos tratam a gente muito bem — afirma.
Ao final da tarde, entre confetes e sorrisos, o projeto reforçou sua missão principal: democratizar o acesso à cultura e provar que a música é, antes de tudo, um instrumento de socialização.
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