
Criada por amigos de infância no bairro Areal Fundos, em Pelotas, a banda de pagode e samba Amigos do Sereno prepara o maior projeto da carreira. Após 13 anos de estrada, o grupo embarca para o Rio de Janeiro, onde grava um audiovisual com 25 músicas na orla da Praia de Copacabana, durante a concentração do bloco de carnaval Peru Pelado.
Embora hoje tenha agenda própria de shows e repertório autoral, o coletivo nasceu de forma simples, ligado a ações comunitárias. No início, os integrantes se reuniam apenas em datas específicas, como Natal, Dia das Mães e Dia das Crianças, promovendo apresentações no bairro.
— A gente cresceu na escola de samba do Areal, sempre muito ligado à cultura popular. Começou como algo social, entre amigos, e depois virou banda — conta Paulinho, cavaquinista e um dos fundadores do grupo.
Com o tempo, o projeto ganhou estrutura profissional e passou a atuar regularmente como grupo musical, focado em pagode e samba. As atividades carnavalescas, como bloco e muamba, permaneceram como iniciativas complementares, voltadas à comunidade.
Virada na pandemia
A decisão de investir em produção audiovisual veio com a pandemia, quando os shows foram suspensos e os músicos passaram a explorar as redes sociais.
— A gente começou a fazer lives e entendeu que precisava mostrar o nosso trabalho para mais pessoas. Não ficar só tocando na noite de Pelotas — Leandro, vocalista e fundador.
Desde então, o grupo passou a gravar conteúdos próprios, entre regravações e músicas autorais, ampliando o alcance para além do circuito local.
Bloco como extensão do trabalho social
Paralelamente à carreira musical, o Amigos do Sereno mantém a Muamba, evento de carnaval de rua organizado no Areal. O encontro reúne bandas e entidades carnavalescas da cidade e tem caráter comunitário.
A iniciativa, que também completa 13 anos, chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas na última edição. Neste ano, a organização prevê estrutura reforçada, com gradis e áreas reservadas para o público.
— É um carnaval participativo, dentro do bairro. O bloco é um projeto nosso, mas a banda segue com a agenda musical o ano inteiro — conta Leandro.
Convite para o Rio
A ida ao Rio surgiu a partir de um convite da banda carnavalesca Xavabanda para integrar a programação de blocos de rua. Aproveitando a viagem, os músicos decidiram registrar o primeiro grande audiovisual fora do Estado, com apoio de equipes locais de captação de áudio e vídeo.
A gravação ocorre na terça-feira de Carnaval (17), durante a concentração do bloco em um quiosque da Avenida Atlântica, com 25 faixas no repertório.
— Já que vamos estar lá, num lugar com tanta visibilidade, resolvemos gravar. É uma oportunidade de mostrar a nossa identidade para um público maior — diz o vocalista.
A saída de Pelotas está prevista para 13 de fevereiro, de ônibus, junto com outros músicos da região. Para o grupo, a viagem simboliza um salto profissional para uma trajetória que começou no quintal do bairro e hoje busca espaço em um dos principais palcos do país.
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