
Um dos clubes mais tradicionais de Pelotas vive um ano histórico. O Centro Português 1º de Dezembro celebra seu centenário consolidado como um reduto de cultura, esporte e preservação da memória lusitana no sul do Estado.
Com três sedes e um quadro social que se aproxima de 4 mil associados, a instituição comemora os 100 anos reafirmando o papel de “segunda casa” para gerações de famílias que ajudaram a construir a história do clube e da própria cidade.
A trajetória do Centro Português é marcada pela união. Fundado em 24 de janeiro de 1926, a partir da fusão do Congresso Português 1º de Dezembro e do Grêmio Republicano Português, o clube nasceu quando divergências políticas foram deixadas de lado em nome de um objetivo comum: manter viva a identidade dos imigrantes portugueses em Pelotas.
Hoje, essa herança é levada adiante por jovens como Thaíssa Gonçalves, rainha do clube no ano do centenário.
— É uma honra representar todas essas pessoas. O clube traz a riqueza da nossa origem — destaca Thaíssa, que frequenta a instituição desde os cinco anos de idade.
Esporte e convivência

Além do resgate histórico, o Centro Português também se destaca pelo vigor esportivo. O campeonato de futebol sete está entre os maiores do país em caráter social, reunindo cerca de 800 atletas.
Segundo o vice-presidente de esportes, Osvaldo Luis Pilotto, o projeto do centenário prevê a modernização das estruturas, com a implantação de quadras de beach tennis e a instalação de grama sintética, ampliando a capacidade de atendimento aos associados.
A rotina nas sedes também preserva costumes tradicionais, como os jogos de sueca aos sábados e as apresentações do Rancho Folclórico, que mantêm vivas as danças e músicas típicas de Portugal.
— Temos a obrigação de manter vivo o nosso país. O clube é o meio de juntar as pessoas — afirma o sócio veterano Francisco Serra, de 81 anos, natural de Portugal.
Arquitetura com DNA lusitano

A identidade portuguesa também está presente na arquitetura do clube. A sede campestre, localizada no Recanto de Portugal, foi inspirada em um dos principais cartões-postais de Lisboa.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração, Eduardo Carreira, o projeto remete à Praça de Touros do Campo Pequeno.
— A estrutura redonda não é por acaso. Nosso salão principal representa a arena onde ocorriam as touradas, enquanto os corredores e salas ao redor simulam as baias — explica.
O cuidado com a memória se estende ao acervo artístico. Em parceria com o governo português, o Centro Português realiza o restauro de obras históricas, como os quadros que retratam o Descobrimento do Brasil e a Primeira Missa, garantindo que o legado iniciado em 1926 siga preservado para o próximo século.
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