
A edição de 2026 da Cavalgada Cultural da Costa Doce terminou no domingo (25) em São Lourenço do Sul, depois de percorrer 230 quilômetros por trilhas históricas que conectam Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré e o distrito de Pacheca, em Camaquã. O evento reuniu mais de 80 cavaleiros e equipes de apoio, em uma jornada que alia tradição gaúcha, turismo rural e preservação ambiental.
O evento é organizado pela Associação da Cavalgada da Costa Doce, fundada em 12 de outubro de 1999, que busca preservar a cultura gaúcha e incentivar o turismo regional. A primeira edição da cavalgada ocorreu em 2000, entre Pelotas e São Lourenço do Sul, e, ao longo dos anos, o roteiro foi ampliado para incluir novos municípios e trilhas rurais.
O presidente da associação, Carlos Gonçalves, explica que o percurso prioriza caminhos históricos e propriedades rurais, evitando áreas urbanas.
— A nossa cavalgada não é por zona urbana. Ela se caracteriza justamente por ser nas trilhas rurais e pelos caminhos de formação da região histórica — afirma.
Durante o trajeto, os participantes enfrentaram obstáculos naturais, como a travessia do Rio Camaquã, feita a cavalo ou com auxílio de embarcações. Gonçalves destaca que a experiência vai além de simplesmente andar a cavalo.
— Isso é muito mais do que andar a cavalo. Nós vamos por trilhas de campo, onde houve combates, lugares históricos — relata.
Além do aspecto cultural, a cavalgada mantém cuidados com o bem-estar animal, incluindo inspeções veterinárias e ajustes de horários em dias de calor intenso. O evento também preserva o meio ambiente: todo o lixo produzido durante o percurso é recolhido e descartado de forma adequada.
— A cavalgada passa e não fica uma embalagem. Levamos tudo conosco para descartar no lugar certo. O campo dá uma lição de como preservar a natureza — afirma Gonçalves.
O grupo seguiu em ritmo lento, chamado de "tranco", a cerca de 6 km/h, acompanhado por veículos de apoio que transportavam mantimentos e barracas para os pernoites.
— Cerca de 90% dos participantes vivem na cidade e mantêm seus cavalos em pousadas. Conseguimos viajar no tempo, voltando 100 ou 150 anos atrás — conclui o presidente da associação.
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