
Um dos bares mais tradicionais da noite pelotense, o Papuera, está passando por mudanças estruturais e operacionais. Localizado na região do Porto e conhecido por reunir um público de várias idades, o estabelecimento ampliou o espaço e passou a cobrar couvert artístico.
A reforma, iniciada há alguns meses, resultou na criação de uma área externa fechada, substituindo o modelo em que os frequentadores ocupavam a frente do bar. A mudança foi motivada por tendências observadas em outras cidades, onde leis estão limitando o uso de espaços externos.
— Em vários lugares, os clientes não podem mais ficar na frente do estabelecimento, apenas dentro dele. Então, decidimos nos antecipar e criar um espaço maior e confortável, caso essas regras venham a ser aplicadas aqui também — explica o sócio Rodrigo Lapuente.
Com a nova fase, o Papuera passou a cobrar couvert artístico, no valor de R$ 15, nas sextas e sábados. A proposta é oferecer duas atrações musicais por noite, reforçando a vocação do bar para apresentações ao vivo.
— Durante esses seis anos, desde o início com voz e violão até chegarmos a bandas completas, o Papuera sempre assumiu sozinho esse custo. Mas isso se tornou inviável sem comprometer outras áreas. Com o couvert, conseguimos pagar melhor aos músicos e investir na qualidade do espaço — destaca Lapuente.
Além das mudanças na operação, o bar retomou o uso de copos de vidro, que haviam sido substituídos por plástico, reforçando a atmosfera boêmia que marca sua identidade. Famoso pelos pastéis, lanches e drinks, o Papuera é símbolo da noite pelotense há mais de 25 anos.
Assumido pelos atuais responsáveis em 2019, pouco antes da pandemia, o bar precisou se reinventar para se manter aberto durante o período de restrições sanitárias.
— Foi especialmente difícil para quem trabalha com música e convivência. Mas o apoio do público e a força da história dessa casa foram fundamentais — relembra o sócio.
Quanto ao comportamento do público, especialmente entre as novas gerações, Lapuente observa que vem crescendo a busca por hábitos mais saudáveis, como o consumo de cerveja sem álcool e de refeições leves.
— As pessoas têm bebido menos, mas uma coisa não muda: elas continuam procurando um espaço para se reunir, escutar boa música e encontrar amigos. A noite em Pelotas segue viva, evoluindo, mas sempre presente — conclui.


