
O 1º Festival de Cinema de Jaguarão, que começou na quarta-feira (12) no histórico Theatro Esperança, nasce com ambição de longo prazo: transformar a cidade da fronteira em um novo polo de produção audiovisual na América Latina. A avaliação é da produtora-executiva do evento, Renata Wotter, que destaca que a escolha por Jaguarão envolve mais do que logística e infraestrutura.
— Jaguarão é uma cidade potente, inspiradora. Para cenário, para produção, para criação. O festival chega para impulsionar essa vocação e ajudar a transformar o município em um polo cinematográfico — afirmou.
A cidade mantém um dos conjuntos arquitetônicos luso-brasileiros mais preservados do país, com prédios do século XIX, ruas históricas e o próprio Theatro Esperança, inaugurado em 1897. Esse patrimônio vem atraindo cada vez mais produtoras e cineastas. Jaguarão já recebeu gravações recentes de obras audiovisuais, movimento que também ocorre em Pelotas, onde casarões e ambientes de época têm sido usados como sets para filmes, séries e videoclipes.
Quase mil produções inscritas
A primeira edição do festival recebeu 996 inscrições, vindas de diversos países da América Latina. O número, segundo a organização, reflete o momento de expansão do audiovisual no interior do Estado.

O festival reúne duas mostras competitivas:
- Mostra Regional — dedicada ao audiovisual gaúcho, com oito filmes selecionados
- Mostra Latino-Americana — com 10 produções de Brasil, Argentina e Cuba
As obras concorrem ao Troféu Uma Terra Só, homenagem ao escritor jaguarense Aldyr Garcia Schlee, além da escolha de melhor filme pelo júri popular.
A criação do festival começou ainda em 2023. O projeto foi financiado pela Lei Paulo Gustavo e aprovado em 2024, entrando em fase de produção ao longo do ano. A primeira edição recebeu quase mil inscrições, um volume considerado “surpreendente” pela organização.
Programação inclui debates, oficinas e atividades pela cidade
Além das exibições no Theatro Esperança, o evento oferece:
- mesas temáticas
- masterclasses
- oficinas
- encontros com realizadores
- atividades itinerantes pelo município
As exibições dos curtas ocorrem ao longo dos três primeiros dias do evento. No sábado (15), acontece o encerramento e a premiação.
Curtas selecionados
Mostra Regional
Último Dia — Felipe Alvares Toledo (Gramado)
Entre Aulas — Marizele Garcia (Bagé)
Retomando Raízes — Andressa Paiva (Cachoeirinha)
Gambá — Maciel Fischer (Teutônia)
Posso Contar nos Dedos — Victória Kaminski (Pelotas)
Aconteceu à Luz da Lua — Crystom Afronario (Porto Alegre)
2 Batuqueiros — Claudinho Pereira e Carlos Caramez (Porto Alegre)
Mãe — João Monteiro (Porto Alegre)
Mostra Latino-Americana
Jeguatá-Xirê — Alan Alves-Brito, Ana Moura e Marcelo Freire (Porto Alegre/RS)
Planeta Fome — Édier William (Porto Velho/RO)
Sítio dos Vagalumes — Eduardo Piotroski (Porto Alegre/RS)
Bijupirá — Eduardo Boccaletti (Salvador/BA)
Dois Nilos — Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro (Rio de Janeiro/RJ)
Girassóis — Jessica Linhares e Miguel Chaves (Rio de Janeiro/RJ)
Da Aldeia à Universidade — Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (Palmas/TO)
Las Islas Adentro — Alexis Cieri (Buenos Aires/Argentina)
Ireal — Sergio García (Quilmes, Buenos Aires/Argentina)
Mira — Julia Rizzo (Havana/Cuba)




