
Menos de duas semanas depois de ter uma de suas unidades destruída pelo temporal que atingiu Pelotas, a Díade Café reabrirá as portas neste sábado (3), em um novo endereço, no Parque Una. A cafeteria, administrada pelo casal Etienne de Oliveira e André Tavares Vestfahl, conseguiu transferir a operação depois do empreendimento onde estava instalada perder o telhado, ter vidros quebrados e móveis e equipamentos atingidos pelo vendaval.
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A nova unidade fica na Galeria Parque Una, próxima do endereço anterior. A mudança foi feita em poucos dias, com o reaproveitamento de parte da estrutura que resistiu ao temporal. A antiga loja tinha menos de um ano: havia sido inaugurada em 25 de outubro de 2025.
A Díade mantém também uma unidade no Centro Histórico de Pelotas, em frente à Praça Coronel Pedro Osório.
Banquetas foram encontradas a quase 100 metros
Etienne e Andre estavam em casa durante o temporal e tentavam acompanhar a situação das duas unidades pelas câmeras de segurança. A falta de energia, porém, impediu o acesso às imagens. Inicialmente, a expectativa era de que o problema se resumisse à interrupção no fornecimento de luz.
— Na minha cabeça, achei que poderia ser só questão de energia. Mas a gente tinha muito medo, porque a loja tinha muitos vidros — conta Etienne.
O primeiro aviso sobre os estragos veio de pessoas que estavam próximas ao Parque Una. Depois que o vento diminuiu, os dois saíram de casa para verificar a situação. Antes mesmo de chegarem à cafeteria, perceberam a dimensão dos danos.
— A gente saiu de casa e era uma cena de terror. A cidade inteira sem luz, árvore no meio da rua. Quando a gente vinha, vimos duas banquetas nossas a quase 100 metros de distância da loja. Ali já nos demos conta — relembra Etienne.
Ao se aproximarem do estabelecimento, constataram que o telhado havia sido arrancado.
— Quando a gente chegou perto, já viu que estava sem telhado. Foi aquele pavor. A gente parou na frente da loja e era uma cena de horror — afirma.
Seguro não cobria danos
O prejuízo ainda está sendo absorvido pelos proprietários. O seguro contratado para a unidade tinha cobertura apenas contra incêndio e, por isso, não contempla os danos provocados pelo vendaval.
— O nosso seguro era só para fogo. O ideal é que tenha para todas as situações, mas a gente nunca pensou que isso fosse acontecer. Infelizmente, tudo que a gente perdeu, perdeu mesmo — diz Etienne.
Parte dos equipamentos foi recuperada. A principal máquina de café e o moinho, considerados os itens mais caros da operação, passaram por limpeza e manutenção e serão reutilizados. Computadores e outros eletrônicos foram perdidos, enquanto equipamentos puderam ser consertados.
Móveis também foram levados para o novo endereço. Alguns permanecerão com as marcas deixadas pelo temporal.
— Tem algumas cadeiras com detalhes estéticos que não tem o que fazer. Vamos ter que abrir assim mesmo e pedir a compreensão de todos — afirma André.
“A primeira coisa que a gente pensou foi: acabou a loja”
Diante da destruição, a reação inicial dos proprietários foi acreditar que a operação no Parque Una havia chegado ao fim.
— A primeira coisa que a gente pensou foi: acabou a loja. Não tem mais o que fazer — lembra André.
A possibilidade de recomeçar surgiu ainda nos primeiros dias. Um prestador de serviço colocou os empresários em contato com o proprietário de outro imóvel no Parque Una. A negociação avançou rapidamente e permitiu que os equipamentos e móveis recuperados fossem transferidos para o novo endereço.
— Todo mundo começou a despejar aquele amor e aquela alegria para a gente, nos colocando para cima, dizendo que tínhamos que seguir. A gente gostou do prédio e começou a ver tudo o que tinha ficado inteiro e que dava para trazer para cá — conta André.
A previsão de novas chuvas acelerou ainda mais a mudança. Em um dos dias, André e o pai usaram uma caminhonete emprestada para retirar os móveis que continuavam expostos na antiga loja.
— Meu pai e eu carregamos a loja inteira de lá para cá. Ia chover e a gente precisava tirar tudo de lá — relata.
Etienne diz que a mobilização de clientes, amigos e parceiros ajudou a manter o negócio em funcionamento mesmo diante dos prejuízos.
— A gente não consegue simplesmente cair na tristeza ou se desanimar, porque as pessoas nos ajudam tanto. A Díade acabou virando uma comunidade muito grande — afirma.
Expansão segue nos planos
A reabertura ocorre às vésperas da Díade completar cinco anos, em novembro. Antes do temporal, setembro vinha sendo o melhor mês da unidade do Parque Una desde a inauguração.
— Parecia que finalmente tinha arredondado tudo. Aí veio esse percalço — diz André.
Apesar da necessidade de recuperar o investimento perdido, os proprietários mantêm planos de expansão para o futuro. Porto Alegre é uma das cidades consideradas, mas o próximo passo depende primeiro da consolidação das duas unidades em Pelotas.
A cafeteria também planeja ampliar a estrutura de produção com uma cozinha industrial. Segundo Etienne, a Díade vendeu cerca de 50 mil cookies em 2025, todos de produção própria. Atualmente, o negócio conta com aproximadamente 13 funcionários.
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