
Construída há mais de 160 anos e considerada um dos principais patrimônios históricos de Arroio Grande, a Capela de Santa Isabel deu um importante passo para voltar a receber fiéis e visitantes. Após mais de um ano de pesquisas, estudos técnicos e participação da comunidade, foi concluído o projeto de restauração da igreja e de revitalização da Praça da Aliança. A partir de agora, a iniciativa entra na etapa de captação de recursos para viabilizar as obras.
O projeto foi apresentado à comunidade na terça-feira (4) pela empresa Perene Patrimônio Cultural, responsável pelos estudos, em um encontro que reuniu moradores, representantes do poder público, da Colônia de Pescadores Z-24, da escola local e lideranças religiosas.
Segundo o pároco Michel Schellin Canez, o projeto foi pensado para preservar não apenas a edificação, mas também a relação histórica da comunidade com o local.
— O foco sempre foi a Capela de Santa Isabel pela sua relevância histórica, pela beleza arquitetônica e também pelas necessidades religiosas da comunidade. Mas procuramos construir um projeto mais abrangente, ouvindo as pessoas e entendendo como a restauração poderia contemplar quem vive naquele espaço — afirma.
Igreja está fechada por problemas estruturais
Enquanto a restauração não sai do papel, a capela permanece interditada. O prédio apresenta infiltrações, problemas na cobertura, deterioração provocada pelo tempo e falhas na parte elétrica.
Segundo o padre Michel, os temporais registrados nos últimos anos agravaram a situação da estrutura.

— Tivemos aqueles ciclones que deslocaram telhas da cobertura. Como é um prédio muito alto, não temos equipamentos nem estrutura para realizar esse tipo de manutenção. Além disso, surgiram infiltrações e outros problemas que fizeram com que a igreja fosse interditada por questões de segurança — explica.
Desde então, as missas e demais celebrações religiosas passaram a ser realizadas no salão comunitário localizado ao lado da igreja.
O sacerdote afirma que a paralisação também acelera a deterioração do patrimônio preservado no interior do templo.
— Enquanto aguardamos o restauro, o próprio mobiliário acaba sofrendo com a ação do tempo. É uma situação que nos preocupa bastante — diz.
Comunidade ajudou a construir o projeto
Além da restauração da capela, o projeto prevê a revitalização da Praça da Aliança, tradicional espaço de convivência da comunidade de Santa Isabel.
Durante mais de um ano, moradores, pescadores, estudantes e lideranças participaram de encontros e rodas de conversa promovidos pela equipe responsável pelos estudos. As contribuições serviram de base para definir as intervenções previstas tanto na igreja quanto no entorno.
A arquiteta Simone Neutzling, da Perene Patrimônio Cultural, destaca que preservar um patrimônio histórico também significa preservar as histórias das pessoas que convivem com ele.
— Era necessário ouvir as pessoas, compreender os vínculos afetivos construídos ao longo de gerações e transformar essas memórias em parte do próprio projeto — afirma.
O trabalho reuniu uma equipe interdisciplinar com mais de 30 profissionais, entre arquitetos, engenheiros, restauradores, historiadores, arqueólogos, antropólogos, jornalistas e pesquisadores.
Nova etapa será captar recursos
Com os projetos concluídos, a comunidade inicia a fase de captação de recursos para executar as obras.
Segundo o padre Michel, a proposta será apresentada a programas dos governos estadual e federal, além de leis de incentivo à cultura e empresas interessadas em apoiar a restauração.
— Concluímos a primeira etapa, que era elaborar o projeto. Agora sabemos exatamente o que precisa ser feito. O próximo passo será buscar recursos para que a restauração finalmente possa acontecer — afirma.
Os valores necessários para a execução das obras ainda estão sendo finalizados pela equipe técnica.
Patrimônio preservado para o futuro

Tombada como patrimônio histórico municipal desde 2011, a Capela de Santa Isabel ocupa posição central na história da comunidade instalada às margens do Canal São Gonçalo. Ao longo de mais de um século e meio, o templo sediou celebrações religiosas e encontros comunitários.
A expectativa é que a conclusão do projeto facilite a obtenção dos recursos necessários para recuperar a igreja, preservar sua arquitetura original e devolver à comunidade um de seus principais símbolos históricos e religiosos.
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