
Depois de quase um ano de preparação, a Cia de Dança Daniel Amaro está nos últimos ensaios para a estreia do espetáculo que marca os 25 anos do grupo. Inspirada na trajetória e na obra do cantor e compositor Luiz Melodia, a montagem será apresentada em 13 de setembro, no Theatro Guarany, em Pelotas.
O espetáculo encerra a programação comemorativa iniciada em outubro do ano passado e representa, segundo o diretor e coreógrafo Daniel Amaro, um retorno às origens da companhia, criada com foco na dança contemporânea.
A construção do trabalho começou em fevereiro, quando uma audição selecionou seis bailarinos para integrar o elenco. Desde então, foram meses de pesquisa, criação e ensaios.
— Tivemos alguns meses de construção e outros dedicados aos ensaios. Agora estamos na reta final, fazendo a limpeza das coreografias, ajustando os movimentos e preparando fisicamente os bailarinos para o espetáculo — explica Daniel.
Homenagem surgiu de lembrança dos anos 1980
A ideia de homenagear Luiz Melodia surgiu a partir de uma experiência pessoal do coreógrafo.
Na década de 1980, quando ainda integrava o grupo Pop Pelotense, dirigido pela professora Beca Canaã, Daniel recebeu uma fita cassete com músicas do artista carioca. Até então, ele nunca havia ouvido as composições de Melodia.
— Eu era um menino da periferia e aquela música não chegava onde eu morava. Conheci o Luiz Melodia através da dança e aquelas letras acabaram influenciando muito a minha formação como artista e como homem negro. Esse espetáculo é uma forma de agradecer por tudo o que essa obra representou para mim.
Ao longo da montagem, a companhia pesquisou a biografia do músico, assistiu a documentários e construiu uma narrativa baseada em 18 canções.
Um espetáculo que dialogue com diferentes identidades
Para contar a história de Luiz Melodia, Daniel convidou três coreógrafos de diferentes regiões do país.
O carioca Wallace Araújo foi responsável por levar à cena elementos do cotidiano do Rio de Janeiro, cidade natal do cantor. A baiana Bela Timbaí contribuiu com referências do período em que Melodia viveu na Bahia. Já o porto-alegrense Luciano Tavares desenvolveu a relação entre a cultura negra do Rio Grande do Sul e a obra do artista.
Segundo Daniel, a proposta é construir um espetáculo que dialogue com diferentes identidades culturais presentes na trajetória do homenageado.
A montagem também foi marcada por imprevistos.
Logo no início dos ensaios, Daniel sofreu uma fratura no fêmur e precisou permanecer afastado por cerca de dois meses. Pouco depois, Luciano Tavares enfrentou problemas graves de saúde e também interrompeu os trabalhos.
Mesmo diante das dificuldades, a companhia decidiu manter o cronograma.
— Tivemos vários problemas durante o processo, mas isso acabou fortalecendo o espetáculo. Algumas coreografias precisei criar sentado, por causa da recuperação da cirurgia. Foi um desafio enorme, mas conseguimos concluir a montagem.
Retomada da dança contemporânea
Nos últimos anos, a Cia de Dança Daniel Amaro ficou conhecida pelos espetáculos inspirados nas danças de matriz africana, como A Dança dos Orixás, Arqueologia Também Dança e São Lázaro como Luz dos Humanos.
Agora, a companhia retorna ao perfil artístico que marcou sua criação no início dos anos 2000.
— Ficamos muitos anos pesquisando profundamente a dança dos orixás. Agora senti que era o momento de voltar às origens da companhia, que sempre foi a dança contemporânea, mantendo apenas algumas influências da cultura afro-brasileira.
Público ajudou a escolher as músicas
Um dos diferenciais da montagem foi a participação do público na escolha das músicas.
A companhia promoveu uma enquete nas redes sociais para que admiradores de Luiz Melodia indicassem as canções que gostariam de ver no espetáculo.
As sugestões serviram de base para definir a trilha sonora.
— Achei muito bonito construir esse espetáculo de forma coletiva. As músicas que o público escolheu acabaram compondo toda a narrativa da montagem.
Além das coreografias, o espetáculo utilizará projeções de fotografias do cantor em diferentes fases da carreira. Parte das imagens foi cedida pela viúva de Luiz Melodia, Jane Reis, que confirmou presença na estreia em Pelotas.
Ensaios acontecem no Theatro Guarany
Nesta reta final, os ensaios acontecem três vezes por semana no próprio Theatro Guarany, palco da estreia.
Segundo Daniel, ensaiar no espaço onde o espetáculo será apresentado ajuda a antecipar ajustes técnicos e dá mais segurança ao elenco.
— Ensaiar dentro do teatro elimina muitas surpresas. Estamos focados na preparação física dos bailarinos e nos detalhes finais para entregar um espetáculo à altura dos 25 anos da companhia.
Entrada gratuita
A apresentação será gratuita, mediante a troca do ingresso por um quilo de alimento não perecível.
As trocas poderão ser feitas entre os dias 9 e 12 de setembro, sempre das 11h às 16h, no Theatro Guarany.
A apresentação integra o projeto Caminhos da Cultura, desenvolvido pela ONG Caminhos da Cultura, de Porto Alegre, viabilizado por meio de uma emenda parlamentar.
O projeto é responsável por custear toda a realização do espetáculo, permitindo que o público tenha acesso gratuito. Os alimentos arrecadados serão destinados a ações sociais.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.

