
Foram mais de 30 anos recebendo clientes e 13 anos de portas fechadas. Nesta quarta-feira (8), um dos endereços mais conhecidos da noite pelotense voltou a funcionar. O Tulha Bar e Restaurante, que marcou gerações desde a década de 1980, reabriu em novo endereço, apostando na força da marca construída ao longo de três décadas e em um conceito adaptado aos novos hábitos de consumo.
O novo Tulha funciona na Rua General Osório, quase esquina com a Avenida Dom Joaquim, mantendo o nome que atravessou gerações, mas com um conceito adaptado ao comportamento atual do público. A proposta é concentrar as atividades entre o início da noite e a meia-noite, deixando de lado o modelo que, durante anos, atravessava a madrugada.
Para o idealizador do empreendimento, Wagner Severo, a reabertura representa muito mais do que um novo negócio.
— O Tulha foi uma ideia minha, eu fiz toda a concepção. Quando fechou, ficou um vazio na minha vida. Não era só a questão financeira, era a falta daquilo que fazia parte da minha rotina. Agora estou conseguindo concretizar esse retorno.

Uma marca da noite pelotense
Fundado em 1983, o Tulha nasceu da sociedade entre Wagner e outro empresário. Pouco tempo depois, o sócio deixou o negócio e Wagner permaneceu sozinho à frente da casa pelos quase 30 anos seguintes.
O endereço mais lembrado pelos frequentadores foi o casarão em estilo enxaimel, onde o estabelecimento permaneceu por cerca de 25 anos e consolidou sua identidade.
Segundo Wagner, o Tulha ajudou a criar hábitos que hoje parecem naturais na cidade.
Um deles foi abrir aos domingos à noite, quando praticamente nenhum restaurante funcionava.
— Não tinha nada aberto. As pessoas iam ao cinema e depois voltavam para casa. Como o Tulha ficava em frente ao Cine Pelotense, percebi que existia um público ali. Quem saía da sessão das oito vinha comer depois. Quem ia para a sessão das dez chegava antes. Foi um sucesso.
Um novo perfil
Embora preserve o nome, o novo Tulha nasce voltado para um público diferente daquele que frequentava a casa décadas atrás.
Wagner acredita que o comportamento da noite mudou depois da pandemia e que hoje existe espaço para um modelo mais voltado ao início da noite.
— Hoje eu não quero mais aquele movimento entrando madrugada adentro. Quero atender principalmente quem tem 40, 50 anos, família, filhos pequenos. A ideia é funcionar até meia-noite.
O cardápio foi reformulado. A casa estreia com cortes na parrilla e petiscos. Nos próximos meses, a proposta é ampliar a operação com uma linha própria de hambúrgueres.
Nostalgia antes mesmo da inauguração
Mesmo antes da abertura, o retorno do Tulha já mobilizou antigos frequentadores. Nas redes sociais, o perfil do empreendimento ultrapassou seis mil seguidores em poucos dias, e as reservas para os primeiros dias de funcionamento foram esgotadas.
Nem o próprio fundador esperava uma repercussão tão intensa.
— O nome ainda é muito forte. Quando lançamos o perfil, eu não imaginava que teria tanta gente esperando por essa volta.
A noite mudou
Depois de mais de quatro décadas acompanhando a transformação da cidade, Wagner acredita que empreender continua sendo um desafio, mas diz que o maior aprendizado foi compreender que o comportamento do público mudou.
— Hoje é preciso definir qual experiência quer oferecer. Aquele modelo que começava cedo e atravessava toda a madrugada não existe mais. A noite mudou e o Tulha também precisava mudar para voltar a fazer sentido.
Treze anos depois de fechar as portas, o estabelecimento tenta escrever um novo capítulo sem abrir mão da principal herança construída desde 1983: a memória afetiva de quem fez do Tulha um dos endereços mais emblemáticos da noite pelotense.


