
O Grupo Tholl retorna nesta quarta-feira (8) ao palco do Theatro Sete de Abril, em Pelotas, para um reencontro carregado de simbolismo. A companhia abre a programação artística da reabertura do teatro com o espetáculo Bate pra Tua Patota — Hoje Vai Ter Circo, exatamente no espaço onde estreou, em 2002, e onde realizou sua última apresentação antes da interdição, em 2010.
Para o fundador e diretor da companhia, João Bachilli, o retorno representa mais do que a volta a um palco histórico. É a retomada de um espaço que marcou a trajetória de artistas e do público pelotense.
— Parece que a gente ficou num pesadelo por um tempo e agora está voltando a ter aquela experiência maravilhosa que é estar dentro do Theatro Sete de Abril.
Segundo Bachilli, o teatro sempre foi um ponto de encontro da produção cultural da cidade.
— O Sete de Abril foi o ponto de partida para muita gente começar a contar a sua história. Ontem foi o reencontro de pessoas que conviviam dentro do teatro. Antes de tudo, ele era um espaço de encontro de quem faz, aprecia e consome arte — afirma.
A despedida antes do fechamento
A lembrança da última apresentação da companhia no teatro permanece viva na memória do diretor.
Na ocasião, em março de 2010, uma forte chuva expôs os problemas estruturais do prédio. A água invadiu áreas próximas aos camarins durante o espetáculo. No dia seguinte, veio a notícia da interdição do espaço.

— O Tholl foi o último grupo que se apresentou antes de o teatro fechar. Lembro que estávamos terminando o espetáculo quando começou uma chuvarada. A água descia pelo telhado e escorria pelas escadarias dos camarins. No outro dia saiu no jornal que o teatro seria interditado — lembra.
Agora, 16 anos depois, a companhia volta ao mesmo palco para marcar o início de uma nova fase do espaço cultural.
Reencontro com um palco histórico
O espetáculo escolhido para a retomada é Bate pra Tua Patota — Hoje Vai Ter Circo, primeira montagem criada pelo grupo para apresentações tanto em teatros quanto em espaços abertos.
Ao longo de mais de duas décadas, o Tholl ampliou sua estrutura e passou a produzir espetáculos que, em alguns casos, já exigem palcos maiores do que o do Sete de Abril. Ainda assim, Bachilli afirma que a emoção de retornar supera qualquer limitação técnica.
— É emocionante receber novamente o público aqui. Ainda existem detalhes que serão ajustados, como acontece em qualquer teatro que passa por uma grande restauração — diz.
Na avaliação do diretor, o período em que o prédio permaneceu fechado foi muito superior ao necessário para uma obra desse porte.
— Dezesseis anos não é o tempo de uma restauração. Em 16 anos se constroem dois teatros novos. O importante é que hoje ele voltou a receber o público — avalia.
Um novo Sete para uma nova fase

Durante os anos em que o Sete de Abril permaneceu fechado, o Grupo Tholl concentrou apresentações em outras cidades e em espaços alternativos de Pelotas.
Para Bachilli, uma das principais consequências da longa interdição foi a perda do hábito de frequentar o teatro, especialmente entre crianças e adolescentes.
— Essa ausência deixou uma marca que agora nós, artistas, também precisamos ajudar a reparar. É necessário reconstruir o gosto pela arte e pela cultura, principalmente entre as novas gerações — reconhece.
Outro ponto assinalado são os custos para ocupar outros espaços acabavam refletindo diretamente no preço dos ingressos, reduzindo o acesso do público.
— O teatro municipal oferece muito mais possibilidades para os grupos. Quando os custos diminuem, isso também chega ao público — explica.
Segundo ele, agora, a companhia já prepara um novo espetáculo infantil como parte desse processo de retomada.
— Queremos formar público e apresentar a arte para quem ainda não teve essa oportunidade — antecipa.
Programação até 18 de julho
A apresentação do Grupo Tholl marca o início da programação artística da reabertura do Theatro Sete de Abril, que segue até 18 de julho com atrações gratuitas.
Nos próximos dias, o palco receberá apresentações da Escola Diclea Ferreira de Souza, Orquestra Estudantil Municipal, Coral Ojuobá, Coro da SPMM, Preto de Sapato, Teatro a Mil, Orquestra do Sesc, além dos projetos Poesia no Sete e Encontros no Choro.
A programação será encerrada com Nei Lisboa, no dia 18. Após o esgotamento rápido dos ingressos para a sessão das 20h, uma apresentação extra foi aberta para as 18h30min.
A procura pelas atrações confirma a expectativa em torno da reabertura do principal palco cultural de Pelotas. Os ingressos gratuitos para as apresentações até sexta-feira (10) se esgotaram poucas horas após o início da distribuição.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.





