
Em meio aos tradicionais doces portugueses, quindins e camafeus que fazem parte da história de Pelotas, uma criação inédita chama a atenção dos visitantes da 32ª Fenadoce. Batizado de Charqueada, o doce reúne flor de sal, caramelo, doce de leite e flocos crocantes em uma receita inspirada em um dos períodos mais importantes da formação da cidade.
A autora da novidade é a confeiteira Elaine Beik, proprietária da Doces Santa Clara, que participa da Fenadoce há mais de 20 anos. Segundo ela, a ideia surgiu da vontade de transformar a história de Pelotas em um novo sabor.
— Pensei na nossa história, do antigo ao moderno. Queria unir o sal das charqueadas ao açúcar, que também faz parte da identidade da cidade. Foi daí que nasceu o nome "Charqueada".
A proposta é fazer referência ao período em que Pelotas se desenvolveu economicamente com a produção de charque, atividade que dependia do sal para a conservação da carne. Ao mesmo tempo, a cidade consolidou uma tradição doceira que atravessou gerações e a transformou na Capital Nacional do Doce.
Tradição e inovação dividem espaço
Apesar da aposta em novos sabores, Elaine afirma que os doces históricos continuam sendo os mais procurados pelos visitantes da feira. Ainda assim, todos os anos existe um público disposto a experimentar algo diferente.
— As pessoas vêm atrás dos doces tradicionais, aqueles feitos com ovos, coco, amêndoas e nozes, que contam uma história de mais de 200 anos. Mas também tem quem venha procurando novidades. Por isso, a gente sempre procura criar um doce novo.
Segundo a confeiteira, esse movimento acontece entre diversos expositores da Fenadoce, que buscam surpreender os visitantes sem perder a essência da confeitaria pelotense.
— Sempre tem alguém querendo experimentar uma novidade. É isso que faz a gente continuar criando.
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