
Depois de rodar o Brasil com a carreira solo e passar por várias cidades, Esteban Tavares volta neste sábado (16) a Pelotas, cidade onde foi criado e que segue ocupando um espaço afetivo importante em sua trajetória pessoal e musical.
O músico sobe ao palco do Galpão Satolep. A abertura da casa ocorre às 20h. O show reúne sucessos da carreira solo, músicas da época da Fresno, parcerias com outros artistas e algumas das canções favoritas do músico.
Morando há cerca de 20 anos em São Paulo, o cantor, compositor e multi-instrumentista afirma que os shows em Pelotas têm um significado diferente do restante da turnê.
— É o show do ano pra mim. Mais pela calma que me traz tocar em Pelotas. Aqui estão meus amigos de verdade, minha família, as pessoas que me viram começar — afirma.
Conhecido nacionalmente pelo período como baixista e compositor da Fresno, banda na qual dividiu composições com Lucas Silveira, Esteban construiu uma carreira solo marcada por influências do rock argentino, folk e música latino-americana. Atualmente, ele percorre o país em turnê até julho e prepara a gravação de um novo disco na Argentina.
Disco novo será gravado na Argentina
Segundo Esteban, o próximo álbum deve começar a ser gravado entre julho e agosto em território argentino. O músico afirma que a escolha passa pela forte influência que o rock do país vizinho exerce sobre sua formação artística.
— Eu gosto muito da forma como os argentinos tratam o rock. Eles misturam com a música do país deles. Isso sempre me chamou atenção — diz.
O novo trabalho deverá se chamar D'alegracias, mantendo a tradição do artista de utilizar títulos em espanhol mesmo em discos compostos majoritariamente em português.
— O Humberto Gessinger brinca comigo por causa disso. Diz que eu só faço música em português e boto nome em espanhol — conta, aos risos.
Rock gaúcho
Durante a conversa, Esteban também falou sobre a cena musical do Estado e saiu em defesa do termo "rock gaúcho", frequentemente criticado por artistas que consideram o rótulo limitador.
— Eu amo o título de rock gaúcho. Tem gente que acha que isso impede de ultrapassar fronteiras, mas várias bandas daqui conseguiram fazer isso — afirma.
Ele cita nomes como Fresno, Cachorro Grande e Humberto Gessinger como exemplos de artistas que conseguiram projeção nacional sem abandonar referências culturais do Rio Grande do Sul.
Para o músico, o Estado mantém uma relação diferente com o rock em comparação a outras regiões do país.
— O Rio Grande do Sul sempre teve uma cena forte. Aqui as pessoas consomem rock e tu consegue viver disso — diz.
Relação afetiva com Pelotas
Embora tenha nascido em Camaquã, Esteban afirma que se considera pelotense por ter crescido na cidade. Segundo ele, Pelotas preserva características que seguem chamando atenção mesmo após duas décadas vivendo em São Paulo.
— Eu amo Pelotas. Talvez até seja um defeito meu, mas eu tenho dificuldade de ver defeitos aqui. A cidade mudou menos nesses anos, mas também existe um charme nisso — afirma.
O músico destaca ainda a presença universitária como um dos fatores que tornam a cidade culturalmente diversa.
— Vem gente do Brasil inteiro estudar aqui. Isso cria uma mistura muito interessante.
Apesar do carinho pela cidade, Esteban avalia que Pelotas perdeu espaços voltados à cultura e aos shows ao longo dos anos.
— Cada vez menos a gente conta com espaços culturais. Ou tem lugar muito pequeno pra tocar ou lugar muito grande — afirma.
Segundo ele, apresentações em teatros acabam limitando parte da dinâmica dos shows de rock.
— Eu gosto de ver as pessoas em pé, se mexendo. Teatro deixa o músico e o público mais retraídos.
"Quero voltar a morar aqui"
Ao falar sobre o futuro, Esteban revelou que cogita retornar ao Rio Grande do Sul nos próximos anos.
— Se eu pudesse, e espero que isso aconteça em pouco tempo, eu gostaria de morar em Pelotas de novo. Eu me sinto mais tranquilo aqui do que naquela loucura que é viver em São Paulo — afirmou.
No show deste sábado, o repertório deve reunir músicas da carreira solo, composições da época da Fresno e trabalhos feitos ao lado de Humberto Gessinger.
— É um repertório de toda a minha trajetória. Tento entregar tudo que fiz de bom e também mostrar o que vem pela frente.



