
Em uma cidade onde o balé faz parte da rotina de escolas, clubes e festivais, uma malharia de Pelotas encontrou na dança um nicho de mercado. Fundada em 1990, a Nalu se consolidou na produção de figurinos, collants e kits voltados a bailarinas e praticantes de ginástica da Região Sul.
O negócio é administrado por Dionas da Rosa de Almeida e pela esposa, Daiane Valente Dias, após passar por diferentes gerações da mesma família.
— A loja era da família, da minha dinda, e depois passou para mim e para a minha esposa — conta Dionas.
Embora o foco no balé exista desde a criação da empresa, a atuação no segmento foi ampliada nos últimos anos, com intensificação de parcerias com escolas e professores de dança de Pelotas.
— Quando a Daiane assumiu, ampliamos a linha de produtos e fortalecemos as parcerias com escolas. Foi quando percebemos o potencial desse público — afirma.
Produção local

Grande parte das peças comercializadas é produzida em Pelotas. A empresa compra tecidos, realiza corte, costura e acabamento de collants, saias, shorts e conjuntos de dança.
Parte dos figurinos para apresentações também é confeccionada em parceria com facções e bordadeiras terceirizadas.
Segundo Dionas, dependendo da demanda, uma peça avulsa pode ser produzida em poucas horas.
— Quando é só uma peça, conseguimos fazer em uma tarde — diz.
Os kits básicos utilizados pelas alunas custam a partir de R$ 150, enquanto conjuntos completos podem chegar a R$ 400, incluindo sapatilhas, collants, casaquinhos e acessórios.
A demanda costuma aumentar em períodos de abertura de novas turmas e, principalmente, nas temporadas de apresentações.
Balé movimenta cadeia econômica
Além das roupas para aulas, a empresa também atende espetáculos e festivais realizados em Pelotas e em outros municípios gaúchos.
Entre os clientes estão colégios, clubes e escolas tradicionais de dança da cidade. A loja também atende consumidores de municípios como Jaguarão, Bagé, Santa Maria e Chuí.
Segundo Dionas, a cadeia econômica ligada ao balé ainda é pouco percebida fora do setor.
— A dança movimenta bastante a economia, principalmente com festivais e apresentações — afirma.
Ele destaca especialmente o período de fim de ano, quando aumentam os espetáculos realizados no Theatro Guarany.
— Nessa época, chega a ter até três apresentações por semana — relata.
Experiência presencial mantém clientela

Mesmo com a concorrência do comércio online, Dionas avalia que o atendimento presencial segue sendo um diferencial importante, especialmente para produtos como sapatilhas e roupas técnicas.
— A preferência ainda é experimentar, porque são peças que precisam se adequar bem ao corpo e ao pé — afirma.
Segundo ele, o negócio também incorporou atendimento por redes sociais e WhatsApp, mas preserva a relação construída ao longo de décadas com escolas e famílias da região.




