
Vinte e seis pesquisadores de universidades da Zona Sul estão entre os cientistas mais influentes do mundo, segundo a edição mais recente do ranking da Research.com. Publicado anualmente, o levantamento reúne o 1% dos pesquisadores de maior impacto em suas áreas de atuação, com base na produção científica, número de citações e reconhecimento acadêmico.
Ao todo, a lista inclui 15 docentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sete da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e cinco da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).

Entre os destaques está o epidemiologista César Victora, da UFPel, apontado como o pesquisador mais influente do Brasil na área de Medicina. O cientista soma 153,6 mil citações em trabalhos acadêmicos e é reconhecido internacionalmente por coordenar as Coortes de Nascimentos de Pelotas, estudo que acompanha milhares de pessoas há mais de quatro décadas.
Outro nome da UFPel em posição de destaque é Aluísio Barros, segundo pesquisador mais influente do país na área de Ciências Sociais e Humanas.
Na UCPel, o professor Fernando Barros aparece entre os pesquisadores brasileiros de maior impacto na área de Medicina. Ele reúne 545 publicações científicas e mais de 47,5 mil citações em trabalhos acadêmicos ao redor do mundo.
A professora Iná Santos, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde no Ciclo Vital da UCPel e também docente da UFPel, também integra a lista na área de Ciências Sociais e Humanas.
A área de Psicologia da UCPel também aparece entre as quatro mais influentes do Brasil no ranking. Três pesquisadores da instituição figuram entre o 1% mais relevante da área: Ricardo da Silva, Luciano Souza e Karen Jansen.
Karen, que obteve a maior pontuação da universidade no levantamento, pesquisa transtornos de humor, como transtorno bipolar e transtorno depressivo maior. Segundo ela, metade da carga horária dos docentes do curso é destinada às atividades de pesquisa.
— A gente escreve para pesquisador. Nossos artigos são voltados para esse público. Mas acredito que esse reconhecimento mostre um pouco que o nosso trabalho é também para a sociedade, como um todo — afirma Jansen.
Os estudos desenvolvidos pelas instituições da região são utilizados como referência em pesquisas nacionais e internacionais, ampliando o alcance da produção científica realizada na Zona Sul.

Entre os pesquisadores da Furg reconhecidos pelo ranking está Eduardo Secchi, professor do Instituto de Oceanografia. Há cerca de três décadas, ele desenvolve estudos voltados à ecologia e à conservação da megafauna marinha, principalmente de espécies ameaçadas.
— Fiquei muito feliz pelo reconhecimento, que não é apenas a mim, mas a todos os colaboradores e alunos que fazem parte do nosso grupo de pesquisa. Isso demonstra a consolidação de uma trajetória acadêmica construída ao longo das últimas três décadas — afirma.
As pesquisas desenvolvidas pelo professor avaliam, entre outros temas, os impactos das atividades pesqueiras sobre espécies ameaçadas. Os resultados desses trabalhos já contribuíram para a elaboração de normas de ordenamento da pesca, com o objetivo de reduzir danos à biodiversidade e aos ecossistemas marinhos.
Confira a lista dos citados
UFPel
- César Victora (Medicina)
- Aluísio Barros (Ciências Sociais e Humanas / Medicina)
- Bernardo Horta (Medicina)
- Iná Santos (Ciências Sociais e Humanas)
- Denise Gigante (Ciências Sociais e Humanas)
- Odir Dellagostin (Biologia e Bioquímica)
- Eder Lenardão (Química)
- Joseph Murray (Ciências Sociais e Humanas)
- Rafael Moraes (Ciência de Materiais)
- André Fajardo (Química)
- Diego Alves (Química)
- Cora Araújo (Ciências Sociais e Humanas)
- Cesar Rombaldi (Agronomia)
- Suzete Chiviacowsky (Psicologia)
- Gustavo Souza (Agronomia)
Furg
- Jorge Alberto Costa (Biologia e Bioquímica)
- Luiz Antônio Pinto (Química)
- Adalto Bianchini (Biologia e Bioquímica)
- Gilberto Fillmann (Meio Ambiente)
- José Maria Montserrat (Biologia e Bioquímica)
- Eduardo Secchi (Ecologia e Evolução)
- Graçaliz Dimuro (Engenharia e Tecnologia)
UCPel
- Fernando Barros (Medicina)
- Iná Santos (Ciências Sociais e Humanas)
- Karen Jansen (Psicologia)
- Ricardo da Silva (Psicologia)
- Luciano Souza (Psicologia)
Como funciona o ranking
O levantamento da Research.com seleciona o 1% dos cientistas mais influentes do mundo por meio de uma metodologia que combina indicadores bibliométricos e reconhecimento acadêmico.
O principal critério é o D-index, indicador que considera apenas as publicações e citações relacionadas à principal área de atuação do pesquisador. O objetivo é medir o impacto científico dentro da especialidade de cada profissional.
Além desse índice, os pesquisadores precisam apresentar produção consistente em revistas e conferências de referência, manter pelo menos 70% de correspondência entre o impacto geral e o impacto na área de especialização e alcançar a pontuação mínima exigida para integrar a lista.
A avaliação também leva em conta critérios qualitativos, como prêmios, bolsas de pesquisa, distinções acadêmicas e outros reconhecimentos obtidos ao longo da carreira.
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