
Uma pesquisa desenvolvida por uma estudante da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que utiliza aditivo feito a partir de rejeitos de camarão para reforçar misturas de concreto para construção civil, vai ser apresentada em um seminário internacional no México.
Júlia Borges Telmo, do curso de Engenharia Civil Costeira e Portuária da universidade, será a única representante do Brasil na nona edição do Seminário Internacional de Jovens da Associação Brasileira de Patologia das Construções (Alconpat) e Penetron (Sijap), que ocorre em 30 de junho, na Cidade do México.
A proposta do trabalho é reduzir a porosidade do Concreto de Alto Desempenho (CAD) — material produzido na Escola de Engenharia da Furg — e aumentar sua resistência contra a ação de agentes contaminantes que provocam corrosão nas armaduras metálicas presentes nas estruturas de concreto.
O aditivo utilizado é a quitina, substância produzida a partir de exoesqueleto de camarão, processados no Laboratório de Tecnologia Industrial da Furg.
— Com a diminuição da porosidade efetiva, agentes externos, como cloretos e CO2, terão dificuldades em atingir as bitolas de aço embebidas na matriz de concreto, ajudando a preservar a vida útil das construções localizadas em zonas com agressividade ambiental severa, como no caso de Rio Grande — explica Júlia.

Segundo a pesquisadora, além dos ganhos para a engenharia, o estudo também busca oferecer uma alternativa para o aproveitamento de resíduos gerados pela cadeia pesqueira.
— Além disso, meu projeto combate diretamente o problema sanitário latente na nossa cidade, relacionado à disposição final das cascas de camarão — diz.
Única brasileira e única mulher
O seminário internacional reúne jovens pesquisadores de diferentes países para apresentar estudos relacionados à patologia das construções, área da engenharia que investiga causas, manifestações e soluções para problemas em edificações.
Nesta edição, foram selecionados participantes de países como Espanha, Argentina, México, Venezuela, Equador, Bolívia e Guatemala. Além de ser a única brasileira entre os escolhidos, Júlia também é a única mulher e a única estudante de graduação do grupo, que reúne majoritariamente pesquisadores de pós-graduação.
— Saber que serei a única representante do país em um evento desse porte me faz perceber a dimensão dessa oportunidade. Sei que estou ocupando um espaço que por muito tempo foi predominantemente masculino, e participar como a única mulher e brasileira entre os selecionados mostra um avanço — afirma.
Integrante do grupo de pesquisa Estruturas Con-Ecoforte (ECE), da Escola de Engenharia da Furg, a estudante participará da sessão destinada aos jovens pesquisadores convidados.
Apresentações serão avaliadas
Os trabalhos selecionados serão avaliados de forma online pelo público participante e pela diretoria internacional da Alconpat.
O autor da melhor apresentação receberá inscrição gratuita para o Congresso Latino-Americano de Patologia da Construção e Controle de Qualidade (Conpat 2027), que será realizado em Porto, Portugal.





