
Uma nova espécie de microalga foi identificada em arroios do sudoeste do Rio Grande do Sul por pesquisadores ligados à Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A espécie, denominada cientificamente de Encyonema macieliarum, pertence ao grupo das diatomáceas, microalgas microscópicas essenciais para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos.
A descoberta é resultado do doutorado da pesquisadora Maria Gabrielle Rodrigues-Maciel, desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais da universidade.
Os organismos foram encontrados em arroios nos municípios de Alegrete, Rosário do Sul e Quaraí, a partir da coleta e análise de amostras de água.
Após a coleta das amostras, as primeiras observações foram realizadas no laboratório da Furg. No entanto, a confirmação de que se tratava de uma espécie inédita ocorreu durante um período de intercâmbio científico da doutoranda, realizado em Luxemburgo.
Para confirmar a descoberta, os pesquisadores utilizaram técnicas de microscopia óptica, microscopia eletrônica e análise morfométrica digital.
— A combinação desses métodos comprovou estatisticamente a separação morfológica entre a nova espécie e outras já descritas pela ciência. A espécie se assemelhava muito à Encyonema sprechmannii, mas a ausência de uma estrutura específica, o intermissio, chamou a atenção imediatamente. A descrição desta espécie não é apenas um registro acadêmico, mas a criação de um dado de referência confiável da biodiversidade da região — explica Maria Gabrielle.
Conforme o relatório publicado no dia 29 de abril em uma revista científica estrangeira, a microalga é reconhecida por exercer funções fundamentais no ambiente: realizam fotossíntese, contribuem para a produção de oxigênio e integram a base da cadeia alimentar aquática.
No caso da Encyonema macieliarum, a espécie foi associada a arroios com águas limpas, baixa concentração de nutrientes e fluxo relativamente estável. Por isso, sua presença pode auxiliar no monitoramento ambiental.
— A espécie apresenta uma estrutura morfológica única, não observada em nenhuma outra espécie do gênero. Elas geram cerca de 25% do oxigênio do planeta e possuem respostas rápidas às mudanças ambientais, o que as torna excelentes bioindicadoras da qualidade dos ecossistemas aquáticos — complementa a doutoranda.
O estudo foi publicado na revista científica internacional Diatom Research e contou com a orientação da professora Fabiana Schneck, além da colaboração de pesquisadores brasileiros e europeus.
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