
A Embrapa Clima Temperado, do sul do Estado, está liderando a criação de uma plataforma voltada à mitigação dos impactos causados por eventos climáticos extremos na agropecuária da Região Sul do Brasil. Chamada de Plano Recupera Rural RS, a iniciativa começou a ser desenvolvida em 2024, após as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul.
O projeto reúne sete unidades da Embrapa dos três estados do Sul do país e tem como principal objetivo auxiliar na recuperação produtiva de propriedades rurais afetadas por eventos extremos, como enchentes e secas severas.
Além da recuperação imediata, o plano também busca desenvolver estratégias para tornar os sistemas agrícolas mais resilientes diante das mudanças climáticas. Entre as ações previstas estão estudos sobre os impactos das inundações nos sistemas de produção, a criação de ferramentas para mitigação de danos e a ampliação de práticas de conservação ambiental e do solo.
Segundo o pesquisador da Embrapa e líder do projeto, Ernestino Guarino, a ideia é reunir tecnologias já existentes e também desenvolver novas soluções para atender a necessidades específicas dos produtores rurais.
— A ideia é ter um repositório de soluções para diferentes necessidades, estudar o que está faltando para a gente poder ter essas ferramentas, exatamente isso, uma caixa de ferramentas em situações semelhantes a qualquer tipo de evento extremo que a gente pode pensar, ou chuvas ou secas extremas — explica.
Entre os focos da iniciativa estão práticas de conservação do solo, como plantio em curvas de nível, manutenção de cobertura vegetal permanente e recuperação de áreas de vegetação nativa danificadas pelas enchentes.
O projeto também propõe uma análise mais ampla do território, tratando diferentes regiões do Estado como um sistema hidrológico interligado. A proposta considera impactos em áreas como Serra Gaúcha, Vale do Taquari e Região Metropolitana.
— A gente está construindo a plataforma, esse conjunto de informações e, ao mesmo tempo, entendendo o que os agricultores precisam. Tem uma visão macro — afirma Guarino.
A iniciativa representa ainda uma mudança na forma de atuação da Embrapa, integrando diferentes centros de pesquisa em uma estrutura conjunta.
Participam do plano as unidades da Embrapa Florestas e Embrapa Soja, do Paraná; Embrapa Suínos e Aves, de Santa Catarina; e as gaúchas Embrapa Trigo, Embrapa Uva e Vinho, Embrapa Pecuária Sul e Embrapa Clima Temperado.
— A plataforma é a conjunção das forças da Embrapa como uma Embrapa única. Nós somos uma empresa única e precisamos ter uma resposta única para uma situação específica — destaca o pesquisador.
Atualmente, o projeto já realiza atividades em campo, como dias de campo e ações de transferência de tecnologia para produtores rurais atingidos por eventos climáticos extremos.
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