
Cerca de 35 estudantes iniciaram, no primeiro trimestre deste ano, as aulas do bacharelado em Engenharia de Robôs da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), considerado o primeiro curso do tipo oferecido por uma universidade pública no Brasil. Até então, a graduação existia apenas em uma instituição privada de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
A nova formação surge em meio ao avanço da chamada inteligência artificial física, área que integra sistemas capazes de perceber, decidir e agir no mundo real.
— A proposta conecta áreas como computação, eletrônica, controle e inteligência artificial para o desenvolvimento de sistemas autônomos. A ideia é criar um ambiente de inovação, onde os alunos possam aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula no desenvolvimento de projetos reais, muitos deles ligados a demandas da indústria — explica o diretor do Centro de Ciências Computacionais (C3), Eder Gonçalves.
As aulas começaram em março. O curso tem duração de cinco anos, em período integral, com atividades nos turnos da manhã e da tarde.
Nesta primeira turma, os 35 estudantes assumem o papel de pioneiros em uma graduação ainda em consolidação e que deve passar por ajustes ao longo das próximas edições.
Entre eles está o rio-grandino Conrado Duarte Floriano, de 20 anos. O estudante ingressou por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) após cursar um ano de Engenharia de Automação na própria Furg. A experiência anterior permitiu o aproveitamento de disciplinas já concluídas, reduzindo parte da carga inicial e facilitando a adaptação à nova rotina acadêmica.
— Meu interesse por robótica surgiu ainda no ensino fundamental, quando participava de uma equipe que trabalhava principalmente com Lego. Sempre fui interessado em tecnologia e inovação — relata Conrado.
O contato prévio com a robótica educacional contribuiu para uma familiaridade inicial com lógica, montagem e funcionamento de sistemas automatizados.
— As primeiras aulas têm sido muito boas. Como é uma engenharia, ainda não entramos de forma tão específica na robótica, mas acredito que, depois da base, seremos mais direcionados à área — afirma.
Formação começa com base em matemática, física e computação
Nos dois primeiros anos, o currículo é estruturado a partir das disciplinas clássicas das engenharias, com foco em matemática, física e fundamentos de computação.
O modelo segue uma lógica comum aos cursos da área tecnológica, priorizando uma base sólida antes da especialização.
— Os dois primeiros anos são de fundamentação da engenharia, muito focados em matemática e física — explica Eder Gonçalves.
Segundo Conrado, o início do curso exige forte dedicação a cálculos e lógica de programação.
— Nesse começo, o que mais chama atenção são os cálculos e algoritmos, principalmente para construirmos a base da engenharia e da lógica de programação — conta.
A partir do segundo ano, a tendência é que o currículo avance para áreas mais específicas, como controle de sistemas, percepção computacional, inteligência artificial e desenvolvimento de robôs autônomos.
Além das aulas teóricas, o curso aposta em atividades práticas, resolução de problemas reais e uso de laboratórios.
Rotina dos alunos
No caso de Conrado, a prática também ocorre fora da sala de aula. Ele integra a equipe Fbot, projeto da universidade voltado ao desenvolvimento de robôs.
No grupo, estudantes trabalham diretamente na construção, programação e testes de protótipos.
— Aplicar esse conhecimento na prática já acontece desde o começo. No projeto da Fbot, nós construímos e trabalhamos com robôs diariamente — relata.
Para o estudante, a criação da graduação acompanha as transformações tecnológicas recentes, especialmente com o avanço da inteligência artificial e da automação.
— Acredito que esse curso esteja mais alinhado ao cenário atual da evolução tecnológica, diferente de outras formações mais tradicionais — avalia.

Ao integrar a primeira turma, Conrado destaca a responsabilidade do pioneirismo.
— Desde o início, os professores demonstraram muita expectativa para que o curso dê certo, tanto para consolidá-lo quanto para atrair novos alunos. Fazer parte da primeira turma é um grande desafio, mas também uma oportunidade importante para contribuir com a construção dessa graduação e com a minha própria trajetória — afirma.
A área que mais desperta o interesse do estudante é a inteligência artificial, tema que deve ganhar protagonismo ao longo da formação, em linha com a proposta de preparar profissionais para atuar no desenvolvimento de sistemas autônomos e tecnologias emergentes.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



