
A equipe de robótica da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), conhecida como FBOT, vai representar o Brasil no campeonato mundial de robótica, que ocorre em Incheon, na Coreia do Sul, entre 30 de junho e 6 de julho. O evento deve reunir mais de 3 mil competidores, de universidades de diversos países.
A delegação rio-grandina competirá em duas categorias: @Home, voltada a robôs domésticos, e na Smart Manufacturing League (SML), evolução da antiga categoria industrial, com o time FBOT@Industrial.
Segundo o integrante da equipe Mikael Neves, as provas simulam situações reais e exigem autonomia total dos robôs.
— Na @Home, o robô atua em uma arena que reproduz uma casa, com sala, cozinha e quartos, realizando tarefas. Na categoria industrial, os robôs executam atividades de logística, como transporte de peças, navegação em ambiente fabril e encaixes de precisão em mesas especiais, tudo de forma autônoma, a partir de um arquivo de instruções entregue pouco antes da prova — explica.
De acordo com a equipe, um dos principais desafios das competições é lidar com imprevistos, como falhas de sistemas e quebra de peças, o que exige agilidade e controle emocional.
— Tecnicamente, a categoria industrial sofre com desníveis no chão das arenas que dificultam a navegação. Na @Home, o desafio é a interação social e a visão computacional, já que o robô depende de como o humano interage com ele — complementa Neves.
Os robôs que representarão a FBOT no mundial serão o BORIS, na categoria doméstica, e o MICKY, na industrial. Ambos já participaram de competições anteriores, mas passaram por atualizações de software e ajustes de hardware. Para a categoria industrial, a equipe também desenvolve um robô totalmente novo.
— Nosso desenvolvimento é dividido em setores, como eletrônica, modelagem e navegação. Começamos com rascunhos em papel, passamos para projetos 3D em software e simulações digitais. Utilizamos sensores, processamento e Inteligência Artificial — afirma Mikael.
Equipe voluntária e trajetória de conquistas
O grupo de robótica da Furg está ativo desde 2002, mas passou a desenvolver robôs domésticos em 2018. Desde então, acumula resultados expressivos em competições nacionais e internacionais.
Em outubro do ano passado, a FBOT conquistou o tetracampeonato na categoria @Home durante a Competição Brasileira de Robótica, no Espírito Santo. Em uma conquista inédita, a equipe também ficou em primeiro lugar na categoria @Work, voltada a robôs industriais.

Atualmente, todos os integrantes da equipe são voluntários e não recebem bolsas.
— Não temos bolsas. Quem está lá é por amor à robótica. Além disso, nossos robôs são fabricados por nós mesmos, desde a base até os sistemas, o que nos dá um conhecimento profundo de cada componente, diferente de equipes que compram robôs comerciais prontos — ressalta Neves.
Busca por recursos para a viagem
Além dos desafios técnicos, a FBOT enfrenta dificuldades financeiras para viabilizar a participação no mundial. Nesta edição, apenas oito integrantes poderão viajar, em razão dos custos com passagens e hospedagem.
— A Universidade costuma custear as inscrições da equipe, mas a parte financeira é o obstáculo número um. Representar o Brasil em uma competição desse porte é uma oportunidade enorme, mas dependemos de apoio para viabilizar a viagem e levar todos os integrantes necessários — afirma o estudante.
Para auxiliar na arrecadação de recursos, a equipe realiza uma campanha online, divulgada por meio das redes sociais.




