
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a execução de um projeto de pesquisa arqueológica que pretende investigar mais de 2 mil anos de ocupação humana no Passo dos Negros, em Pelotas. O estudo é coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e deve ser desenvolvido ao longo de 16 meses.
Denominado Projeto de Pesquisa Arqueológica no Passo dos Negros (PROPasso), o trabalho reúne diferentes áreas do conhecimento, como arqueologia, antropologia, arquitetura, geografia e ecologia, além de integrar saberes populares da própria comunidade.
O território é considerado um sítio multicomponencial, com vestígios de diferentes períodos históricos sobrepostos — desde ocupações pré-coloniais até atividades industriais mais recentes.
Área de estudo e objetivos
A pesquisa será realizada em uma área que abrange o entorno do arroio Pelotas, o Canal São Gonçalo e zonas urbanas próximas. O objetivo é identificar e cadastrar sítios arqueológicos, com expectativa de encontrar vestígios ligados a diferentes períodos e grupos.
Entre os focos estão possíveis evidências de ocupações Guarani, registros da atividade charqueadora e marcas da presença da população negra, tanto no período da escravização quanto após a abolição.
O cadastramento desses locais permitirá que sejam reconhecidos oficialmente como patrimônio arqueológico, passando a ser monitorados e protegidos pelo Iphan, conforme prevê a legislação brasileira.
Memória, identidade e reparação histórica
Para os pesquisadores, o estudo vai além da identificação de vestígios materiais e contribui para a valorização da história local.
— Esse estudo é fundamental para revelar camadas da nossa história que muitas vezes não estão registradas nos documentos oficiais. O Passo dos Negros é um território profundamente vinculado à presença e à resistência da população negra na formação da cidade — afirma Gilmar Pinheiro, chefe do Escritório Técnico da Fronteira Sul do Iphan.
Segundo ele, a arqueologia também cumpre um papel importante de reparação histórica e fortalecimento da identidade cultural.
Participação da comunidade
Um dos diferenciais do projeto é a participação direta dos moradores do Passo dos Negros, que atuam como “comunidade pesquisadora”, colaborando nas atividades de campo e laboratório.
A equipe é coordenada pelo arqueólogo Cláudio Baptista Carle, professor da UFPel, e conta com pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de integrantes da ONG Cuidando de Nós, ligada à própria comunidade.
Histórico do território
O Passo dos Negros é considerado um dos espaços mais antigos da formação de Pelotas, anterior à própria cidade. O nome faz referência tanto ao ponto estratégico de travessia pelo Canal São Gonçalo quanto à presença de trabalhadores escravizados que atuaram nas charqueadas da região.
Ao longo do tempo, o local abrigou estruturas importantes para o desenvolvimento econômico, como o Engenho Pedro Osório e indústrias ligadas ao agronegócio e ao setor frigorífico.
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